Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2015

COMPASSO DE ESPERA

 

Adriano Pacheco


A vida nas suas mais diversas contingências, dá-nos tempo e preparação (quando dá) para as eventualidades que podem surgir, mas nunca nos apetrecha com a capacidade de aceitação no dia em que temos de partir. Podemos viver intensamente até à exaustão, podemos subir aos mais altos penhascos sem vertigens, podemos ser postos à prova do maior desgaste com dor. No entanto e apesar disso, nunca estamos preparados para seguir viagem!... Somos resistentes ao frio, ao vento, à chuva e ao calor; a todas intempéries que nos são postas no caminho, mas um dia baqueamos sem o compasso de espera que desejaríamos para o encontro solene que gostaríamos de ter com a vida, ou com a morte!...
Nascemos apetrechados de potencialidades adequadas ao esforço necessário de fazermos o nosso caminho, se nada de anormal acontecer. Depois, somos postos à prova nos mais variados percalços da vida, mesmo assim, singramos com a energia que é posta ao nosso alcance, sabendo que tudo é relativo no rolar manso do tempo, mas possível de atingir pela força de vontade.
Construímos aquilo que julgamos ser o nosso espaço, o nosso reduto, em resultado da projeção da imagem que criámos, pensando ser este o nosso “império”, numa sôfrega vontade de afirmação na qualidade de habitantes da Terra. Deste modo, vamos lutando e vencendo os diversos patamares de dificuldades, na esperança de que algo valioso se vá construindo para um amanhã digno de ser vivido.
Mais tarde, debaixo dum céu cinzento, vencidos pelo cansaço e pelas desilusões, percebemos que nem tudo está ao nosso alcance, nem tudo depende apenas da nossa vontade, pela inexorável força da finitude de que somos portadores, tão frágeis e insignificantes somos perante a força da Natureza que nos rege. Atingimos assim o patamar da maturidade do conhecimento com os anos que transportamos, condicionados ou não, pela saúde que nos dá suporte à arrogância dos tempos, até que um dia desabamos e nos rendemos aos condicionalismos naturais que a vida nos impõe. Este será o trajeto natural de qualquer um de nós.
Chegados aqui e perante as dificuldades inerentes à degradação do estado físico de cada um, a ideia de que um dia temos de partir é inevitável e passa a estar sempre presente, com maior, ou menor resignação. E o mundo, a própria vida, passam a ter um outro contexto, um outro colorido, numa outra dimensão. A verdade é que não somos eternos neste planeta.
A grande dificuldade apresenta-se quando obstinadamente nos propomos a resistir ao indeclinável, forma de perpetuarmos a nossa “importante” existência, como que a retardar um passo que se apresenta desesperadamente inevitável. Daí a citação de que “nunca estamos preparados para esta viagem”, se não tivermos presente que apenas somos meros passageiros dum comboio em marcha desde todos os tempos, em busca do seu destino...

publicado por penedo às 16:49

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