Terça-feira, 4 de Março de 2014

OS CAMINHOS DA HISTÓRIA

Por

Adriano Pacheco

Num tempo em que quase toda a região da Beira-Serra se encontra celebrando a encruzilhada de meio milénio de existência dos Forais Manuelinos, nós vamos carregando alegremente o peso da história confrontando as várias alterações e mutações sociopolíticos que nos coube por herança até à nossa atual dimensão. Verdade duma época em que tudo é perecível, relativizado, e se vai reduzindo a um vazio confrangedor de horizontes pouco risonhos. O interior do país é o coração dum território onde o seu pulsar deve ser transmitido à periferia com a maior energia. Se isto não for assim entendido, então continuamos a resvalar aceleradamente para a zona costeira, ficando nós, cada vez mais um país desigual, periférico e sem uma base sólida de sustentação.

 

Temos consciência que a mudança é uma constante da vida, sem a qual não é possível renovarmo-nos nem acompanharmos a máquina dos tempos. Mas renovar não implica desprendimento, desapego ou esquecimento do torrão-natal. Temos de acompanhar a mudança na continuidade das nossas raízes, focando o já longo trajeto que aqui nos trouxe, dando brilho e relevância aos marcos históricos que nos guiam. A história fala de nós e da nossa região, razão pela qual sentimos o honroso compromisso da passagem do legado cultural às gerações vindouras, as quais por sua vez, lhe darão seguimento. Elas julgar-nos-ão pelo que foi feito e pelo que foi esquecido, “um povo sem memória não é digno de si próprio”.

 

Vivemos momentos históricos que se prolongarão na lembrança, marcados por uma escassez de meios de que não há memória. Os tempos recentes do consumismo deram lugar a esta cinzenta carência com que nos debatemos, tomando por primazia os bens de primeira necessidade, ficando para trás tudo o que for cultural de que um povo se deve munir e ilustrar. Estamos a tomar séria noção da nossa real pequenez, onde curiosamente abundam tantos barões abastados e se evidenciaram várias mentes luminosas que outros países receberam. Contudo, continuamos a ser pequeninos mas orgulhosamente carregados de nove séculos de história.

 

Vem a talhe de foice, uma entrevista que Xana Gusmão concedeu ao DN de 09.02.2014 em que ao ser-lhe perguntado “se o chocava este modelo de austeridade que Portugal está a viver nos últimos três anos” Respondeu: (…) “Choca-me no sentido de a população estar a sofrer e fico alarmado que cada país tente resolver, por si só, o seu problema.” É muito curiosa a resposta do primeiro-ministro timorense da qual se podem fazer várias leituras e, uma delas, é que vindo dum governante dum país emergente que atravessou fases de muitas dificuldades, hoje se coloca em boas perspetivas de índices de bom crescimento, mostra reais preocupações pelo sofrimento do nosso povo!

 

É sintomático que este recente governante, duma jovem nação, se tenha dado conta das dificuldades que o povo português está a sofrer (repare-se que não falou do país) com a atualidade económica. Neste clima de acentuada austeridade, não é fácil pôr de pé um qualquer evento que envolva a divulgação de um ato cultural da região.

publicado por penedo às 17:54

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