Quinta-feira, 5 de Junho de 2014

SESSÃO SOLENE DO FORAL DE ALVARES (Lisboa )

Adriano Pacheco

 

Se no dia 4 de Maio as comemorações do quinto centenário do Foral da Herdade de Alvares foram a verdadeira festa do povo, que envolveu entusiasmo do mais genuíno e autêntico, que percorreu as ruas da Vila até ao sol-posto. No dia 31, no Fórum de Lisboa, as celebrações atingiram a mais elevada e solene festividade perante figuras públicas da nossa região e uma grande concentração de gente anónima vinda dos quatro cantos da Herdade, as quais foram obsequiadas com instalações condignas e equipamento bem adequado ao momento.

Abriu a sessão António Rui Dias, presidente da Comissão de Melhoramentos de Alvares que ao dar as boas vindas a todo o auditório, foi esclarecendo as motivações que ali o traziam e o orgulho que sentira em ter ajudado a promover o evento da publicação do livro do Foral da Herdade de Alvares. De seguida tomou a palavra o eng. João Baeta Henriques que viria a moderar a sessão, preenchida pelos dignos palestrantes: Doutor José Manuel Garcia, Prof.ª Regina Anacleto e pelo Mestre Silvestre Fonseca que preencheu um belo momento musical. O dr. José Manuel Garcia apresentou uma panorâmica das preocupações do Rei D. Manuel em apetrechar o seu reino com uma boa máquina administrativa, atribuindo forais às regiões necessitadas de desenvolvimento e de proteção, bem como pelo zelo da fazenda pública, com um conjunto de regras administrativas que lhe chamaram de Foral.

Da Prof.ª Regina Anacleto, oriunda de Arganil, com vasta obra publicada sobre o Mosteiro de Folques, tivemos o esclarecimento da forte ligação existente entre este Mosteiro e a Herdade de Alvares, não só por serem os senhorios dela, como também duma grande parte do território serrano. A sua abordagem ao tema, foi largamente aplaudida não só pelo belo sotaque beirão, mas também pelos largos e profundos conhecimentos que deixou naquele auditório. Para finalizar a primeira parte, tivemos um belo momento musical preenchido pelo virtuosismo vertido dos sons da guitarra clássica de Silvestre Fonseca, oriundo de Cortes de Alvares. 
A segunda parte foi preenchida por Nuno Barata-Figueira que se ocupou da genealogia das famílias da região deixando notas curiosas de interesse regional. Por sua vez o eng.º António da Fonseca, autor do livro o Foral, desenvolveu vários entendimentos sobre teorias já abordadas sobre a região, falou das dificuldades na recolha da documentação que está muito dispersa. Fechou a sessão o Prof. Doutor Carlos Poiares com uma brilhante análise às várias intervenções ocorridas, dando realce às reais potencialidades da região, aos belos momentos ali vividos que resultaram numa bela aprendizagem.

Por fim o moderador, não quis encerrar a sessão sem dar oportunidade a quem quisesse intervir dando a palavra a Luís Henriques de Alvares que quis agradecer o evento à comissão organizadora, pelo belo momento que ali tinha proporcionado, sendo logo secundado pelo dr. Amaro Rosa de Portela do Fojo que ao elogiar o evento lembrou que, com ele, outras portas podiam ser abertas e novos desenvolvimentos podiam surgir. O entusiasmo ficou no ar… 
Para terminar, a presidente da Camara M. de Góis, dr.ª Maria de Lurdes Castanheira, não quis deixar de agradecer e enaltecer o que ali se tinha passado, congratulando-se com o trabalho da comissão organizadora, com os homens da cultura da nossa região ali presentes, com a Casa do Concelho de Góis e seu Conselho Regional, reconhecendo os momentos de muita elevação que puderam ser vividos, proporcionados, nomeadamente pelos palestrantes convidados. 
Por momentos o nosso mundo ficou maior e mais luminoso…

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Terça-feira, 4 de Março de 2014

OS CAMINHOS DA HISTÓRIA

Por

Adriano Pacheco

Num tempo em que quase toda a região da Beira-Serra se encontra celebrando a encruzilhada de meio milénio de existência dos Forais Manuelinos, nós vamos carregando alegremente o peso da história confrontando as várias alterações e mutações sociopolíticos que nos coube por herança até à nossa atual dimensão. Verdade duma época em que tudo é perecível, relativizado, e se vai reduzindo a um vazio confrangedor de horizontes pouco risonhos. O interior do país é o coração dum território onde o seu pulsar deve ser transmitido à periferia com a maior energia. Se isto não for assim entendido, então continuamos a resvalar aceleradamente para a zona costeira, ficando nós, cada vez mais um país desigual, periférico e sem uma base sólida de sustentação.

 

Temos consciência que a mudança é uma constante da vida, sem a qual não é possível renovarmo-nos nem acompanharmos a máquina dos tempos. Mas renovar não implica desprendimento, desapego ou esquecimento do torrão-natal. Temos de acompanhar a mudança na continuidade das nossas raízes, focando o já longo trajeto que aqui nos trouxe, dando brilho e relevância aos marcos históricos que nos guiam. A história fala de nós e da nossa região, razão pela qual sentimos o honroso compromisso da passagem do legado cultural às gerações vindouras, as quais por sua vez, lhe darão seguimento. Elas julgar-nos-ão pelo que foi feito e pelo que foi esquecido, “um povo sem memória não é digno de si próprio”.

 

Vivemos momentos históricos que se prolongarão na lembrança, marcados por uma escassez de meios de que não há memória. Os tempos recentes do consumismo deram lugar a esta cinzenta carência com que nos debatemos, tomando por primazia os bens de primeira necessidade, ficando para trás tudo o que for cultural de que um povo se deve munir e ilustrar. Estamos a tomar séria noção da nossa real pequenez, onde curiosamente abundam tantos barões abastados e se evidenciaram várias mentes luminosas que outros países receberam. Contudo, continuamos a ser pequeninos mas orgulhosamente carregados de nove séculos de história.

 

Vem a talhe de foice, uma entrevista que Xana Gusmão concedeu ao DN de 09.02.2014 em que ao ser-lhe perguntado “se o chocava este modelo de austeridade que Portugal está a viver nos últimos três anos” Respondeu: (…) “Choca-me no sentido de a população estar a sofrer e fico alarmado que cada país tente resolver, por si só, o seu problema.” É muito curiosa a resposta do primeiro-ministro timorense da qual se podem fazer várias leituras e, uma delas, é que vindo dum governante dum país emergente que atravessou fases de muitas dificuldades, hoje se coloca em boas perspetivas de índices de bom crescimento, mostra reais preocupações pelo sofrimento do nosso povo!

 

É sintomático que este recente governante, duma jovem nação, se tenha dado conta das dificuldades que o povo português está a sofrer (repare-se que não falou do país) com a atualidade económica. Neste clima de acentuada austeridade, não é fácil pôr de pé um qualquer evento que envolva a divulgação de um ato cultural da região.

publicado por penedo às 17:54

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Quinta-feira, 2 de Janeiro de 2014

OS BOMBOS DA FESTA

Adriano Pacheco

 

Somos um país com a maior mancha florestal da Península Ibérica com grande diversidade de vegetação, especialmente a norte do sistema montanhoso Montejunto Estrela, onde se encontra a zona mais montanhosa do país equipada com Agrupamentos de Bombeiros em todos Concelhos. No entanto, sempre que somos fustigado pelos incêndios, nas época de estio, tudo se apresenta como uma inevitabilidade dos tempos própria do acidentado do terreno, da incúria das pessoas, ou das mãos criminosas que por ali se façam passar, raramente são apontados os inexistentes acessos, próprios de uma floresta avulsa sem qualquer planeamento, nem de aceiros que delimitem as diversas vertentes. Na nossa floresta tudo cresce desordenadamente e a granel tal como os cogumelos.

 

No verão passado, os incêndios foram duma devastação avassaladora que deixaram marcas de grande destruição material e perdas de vidas humanas irreparáveis. O país ficou depauperado e triste, as gentes mais pobres e as serras representando um aspeto desolador. Ainda que a floresta tenha capacidade de rejuvenescimento, as vidas humanas nada as trará de volta. Ficaram assim famílias destroçadas, habitações destruídas dentro dum cenário negro de desolação. Não obstante este estado de coisas, ainda não tivermos conhecimento de qualquer tentativa de reconstrução, nem esboço de qualquer esforço nesse sentido.

 

Quando as feridas ainda sangram, quando as lágrimas ainda não secaram e as famílias continuam aturdidas, sofrendo em silêncio, eis que surge um relatório tornado público pelo Ministério da Administração Interna, a culpar abertamente os bombeiros, distribuídos pelo país e a própria corporação, das mortes ocorridas durante o combate aos incêndios. Responsabilizando-os diretamente da sua má colocação no terreno e da forma errada no ataque aos incêndios!?

Isto é no mínimo indecente e surreal, para não dizer despudorado, por parte da tutela duma corporação nacional cheia de prestígio e valor. Então a própria tutela vem desautorizar (desvalorizar) os comandos do terreno que ela própria formou e apetrechou? Vem escamotear responsabilidades que são dos seus altos comandos que de tudo sabem sem pestanejar, em vez de eles próprios assumirem as responsabilidades!? Nesse caso são os próprios “peões de brega” que pagaram com as suas vidas, os culpados do que de mau lhes aconteceu no seu trabalho, ou quem os coordenou dentro dum contratempo que pode ter acontecido? Não dá para entender!?...

Podemos não estar bem informados sobre os incidentes, mas ressalta à vista que algo está mal explicado numa tentativa de alijar responsabilidades para cima de alguém, ou de alguma coisa que não será o primeiro culpado. As responsabilidade encontradas deste modo, depois de tudo acontecer com danos graves, devem ser assumidas pela tutela por inteiro, como primeiro responsável, depois distribui-las pela cadeia hierárquica consoante o seu grau de responsabilidade. Caso contrário apenas estão à procura dum bode expiatório para uma tragédia e, no fim da linha, não arcarem com as suas responsabilidades.

publicado por penedo às 01:04

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Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2013

FOGOS DE INVERNO

Adriano Pacheco

 

Em tempos, já aqui abordarmos o tema da floresta como sendo a riqueza mais apetecível da nossa região, podendo tomar hoje dimensão apreciável no desenvolvimento rural nos seus diversos aspetos: na criação de postos de trabalho com ocupação sazonal de vários trabalhadores, produzindo produtos para transformação em sectores da indústria e outros em condições de entrarem na vasta rede comercial do nosso mercado.

 

Por outro lado, a floresta apresenta-se como o elo de ligação natural entre todas as aldeias. Cresce e multiplica-se por todo o lado, alastra por todos os vales e montes, estende-se pelo espaço que os olhos podem alcançar e circunda toda e qualquer aldeia serrana, com os perigos que daí podem advir. É uma mancha verde que dá cobertura ao território serrano de forma selvagem, no sentido desordenado, como que a sua existência não merecesse qualquer cuidado nem preocupação, uma vez que ela cresce de forma espontânea e sem qualquer trabalho nem custo. Este é o entendimento dominante de qualquer cidadão proprietário ou não, estendendo-se às entidades e autoridades do sector.

 

Este velho conceito, atualmente não tem qualquer cabimento, não só pelo peso que a floresta pode vir a desempenhar na economia e no desenvolvimento locais, como pela purificação da atmosfera e deleite dos nossos olhos, como também pelo detonador e rastilho de uma desgraça que pode vir mais uma vez acontecer. O verão passado mostrou-nos bem como toda a região pode estar à mercê da ameaça da chama de um fósforo e duma “vergastada” de vento para que toda a serra fique reduzida a cinzas bem como algumas aldeias que por ali se encontram disseminadas. Não podemos, nem devemos, estar sempre dependentes da abnegação dos bombeiros nem de lhes pedir o sacrifício das suas vidas! Os bombeiros são o recurso humano mais apto num momento de emergência, mas não são os salvadores da “Pátria”!

 

Pelo que nos foi possível observar, de então para cá nada foi alterado, prevenção nenhuma foi posta em marcha no que ao combate aos incêndios diz respeito. Sendo assim que podemos esperar para o próximo verão? Que mais bombeiros morram queimados? Que mais aldeias e idosos vivam momentos de aflição? A prevenção contra os incêndios faz-se no outono e na primavera. É nestas estações do ano que gostaríamos de ver os técnicos das florestas em ação, delineando aceiros, roteando acessos, delimitando áreas de mais fácil combustão. Não sabemos qual o departamento da Secretaria de Estado das Floretas, ou da Proteção Civil superintende neste espaço, mas sabemos que, não é no verão quando a massa inflamável está no auge, se programa a proteção contra os incêndios com melhor eficácia.

Da parte do povo anónimo que se pode pedir? Que estejam atentos e protejam os seus bens? Que velem pelos melhores acessos às suas propriedades? Não é possível pedir-se isto a uma população idosa posta no seu cantinho passando os últimos dias das suas vidas. As coletividades sim, essas podem ter um papel ativo formando um núcleo de pressão junto das autoridades competentes para que algo seja feito em favor da prevenção da floresta.

 

 

 

 

 

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Sábado, 19 de Outubro de 2013

UMA FREGUESIA DE ILHAS

Adriano Pacheco

 

Tal como o nosso espaço serrano, tal como as nossas aldeias isoladas, tal como o nosso entendimento, a freguesia de Alvares apresenta-se sempre fragmentada. Reage e comporta-se como um arquipélago de ilhas dispersas sem qualquer ligação entre si. Somos um povo desunido sem qualquer afinidade nem força de conjunto e por isso sem qualquer peso político, nem associativo, a nível concelhio. Pesa muito mais cada aldeia de per si, do que vale a freguesia no seu conjunto. A serra fez de nós “bichos” recolhidos cada um em sua toca que só de vez em quando nos encontramos! Razões históricas alimentaram tal mentalidade que nos conduziu a este estado de coisas!… Hoje isto não é admissível!

Ainda que mal comparado, foram bem notadas as opiniões exacerbadas na recente campanha eleitoral, onde foram mais destacadas as rivalidades exageradas entre aldeias, com destaque para o realce do positivo e do negativo em mandatos anteriores, do que a diferença de ideias alternativas apresentadas pelos próprios candidatos, o que em termos gerais (ignorando o bairrismo) não se compreende nem fará muito sentido. Não temos noção nem entendimento como força de conjunto da nossa região. Falta-nos a floresta desenvolvida como grande potencial agregador. Somos um povo pobre e desavindo, para cúmulo da desgraça.

Bem sabemos que, nas campanhas eleitorais para as autarquias, os ânimos atingem o máximo da sua vibração em redor do seu partido/candidato o que é perfeitamente normal dada a disputa em causa, o que já não é normal são as reações empoladas por um bairrismo exacerbado que favorece apoio a um ou outro candidato, servindo-se este do estado d’alma particular destas gentes. As expressões veiculadas pelas redes sociais atingiram níveis pouco dignificantes por parte de quem as exprimiu, numa tentativa de apoiarem o candidato A ou B. Desta forma, alimentado este divisionismo pelos fazedores de opinião, nunca iremos a lado nenhum, nem nunca teremos qualquer peso político nem força regionalista.

Não estamos, com isto, a sugerir uma organização de cúpula para o movimento regionalista, isso seria reduzir-lhe o seu dinamismo que ele próprio alimenta. Mas seria salutar que os seus dirigentes tivessem uma atitude e visão de conjunto, promovendo eventos, ora numa aldeia, ora na outra, consoante suas aptidões e características de cada uma, dando sequência ao espírito das “Jornadas Culturais”. Aliás as três maiores aldeias da freguesia vão consolidando as caraterísticas que as distingue, interessa agora promover outras para potenciarem o regionalismo. Somos muito poucos para vivermos isolados, ignorando-nos uns aos outros. Longe vão os tempos em que as aldeias eram auto suficientes em termos de eventos, podendo tomar em suas mãos as suas próprias iniciativas.

A riqueza que nos é presenteada pela Serra e pela Floresta, deveria ser aproveitada para proveito da região e não para nos desunir.

 

 

publicado por penedo às 18:08

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Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013

O CENTRO DE MEMÓRIA GOIENSE

 Adriano Pacheco

 

Há bem pouco tempo tivemos o prazer de assistir à inauguração dum magnífico espaço de exposição onde poderão ser vistos motivos e figuras relevantes que marcaram a história goiense. O espaço concebido com critério harmonioso, vai ser diminuto para um desfile de figuras da história concelhia recente, que se adivinha numeroso. Cabem aqui figuras recentes que deixaram marcas de progresso e desenvolvimento nesta região a quem Góis muito deve. Cabem também memórias longínquas que fizeram desta Vila um marco histórico como o provam o Brasão das Armas de D. Luís da Silveira, figura relevante que teve assento na Casa Real.

Sobre a demanda deste Brasão, foi proferido um discurso pelo presidente do Conselho Regional da Casa do Concelho de Góis - CR, em Lisboa, dr. Luís Martins, do qual destacamos o seguinte trecho:



“A Casa do Concelho de Góis, através do seu Conselho Regional, tem nos últimos 3 mandatos, encarado o regionalismo goiense de uma forma diferente, abrindo a Casa a todos os goienses partilhando um espaço onde se pensa e divulga Góis.

E divulgar Góis, significa divulgá-lo nas suas diversas vertentes: a cultura, os costumes, a história, a gastronomia, entre outros… este tem sido o mote para diversas organizações levadas a efeito na Casa do Concelho de Góis que visam estreitar os laços de Góis com a comunidade goiense, assumindo-nos como parceiros sociais e culturais da Autarquia.

Nesse âmbito, em 2010, organizámos um seminário subordinado ao tema “GUARDAR O PASSADO, OLHANDO O FUTURO”, no qual o Mestre João Simões, partilhou connosco a sua mágoa pelo facto do Brasão esculpido em pedra de D. Luis da Silveira, Primeiro Senhor de Góis por foral Régio, se encontrar no Museu Municipal Dr. Santos Rocha, na Figueira da Foz, e não em Góis onde seria o seu lugar por direito próprio.

Como resultado dessa sessão, o Conselho Regional encetou uma cruzada que culmina hoje aqui com a Câmara Municipal a recuperar o referido Brasão para Góis, o seu local de origem, reparando assim uma decisão menos feliz num passado já longínquo.”

 

Este importante contributo fez com que o Brasão esteja hoje em lugar de destaque, nesta galeria, por direito próprio. Sem a sua presença a Vila de Góis e a sua história ficariam amputados da sua mais alta insígnia que marcou a época de maior esplendor e nobreza, o que deixava na penumbra todo o brilho da sua já longa história. Mais adiante o dr. Luís Martins referiu-se ao primeiro Senhor de Góis nestes termos:

“Não sendo historiador, não serei certamente a pessoa mais indicada para falar de D. Luis da Silveira, mas neste momento simbólico para Góis, não posso deixar de recordar o porquê da importância desta personalidade para o nosso Concelho.

Ao longo dos tempos, muitos se têm dedicado ao desenvolvimento de Góis, mas foi D. Luís da Silveira, uma das pessoas que mais contribuiu para o desenvolvimento da Vila de Góis e seus lugares.

D. Luis da Silveira foi um dos vultos mais importantes de Portugal no séc. XVI, tendo sido militar, cortesão e politico nos reinados de D. Manuel e D. João III, foi guarda-mor de ambos os reis, bem como veador-mor das obras, terços, resíduos, hospitais e capelas, destes reinos e senhorios. 

Em 1522 foi encarregado de ir negociar com o imperador Carlos V o casamento deste soberano com a infanta D. Isabel, tornando-se embaixador na corte de Carlos V, de quem ficou amigo, e que era o Homem mais importante do seu tempo.

Quando voltou a Portugal, foi acolhido com frieza pelo Rei D. João III, pelo que decidiu de tudo prescindir na Corte, retirando-se para as propriedades que possuía em Góis, tendo-lhe D. João III dado a vila de Góis e o título de conde de Sortelha. Aqui morreu em 1534.

Relembrando a importância que D. Luis da Silveira representa para Góis, a recuperação do seu Brasão de Armas é, sem dúvida, um momento histórico para todos nós e que enriquece o nosso espólio e a nossa identidade.

 

Para que este momento fosse uma realidade, temos orgulhosamente a noção do nosso contributo, numa iniciativa que foi árdua, mas muito gratificante que orgulha esta equipa que constitui o Conselho Regional da Casa de Conselho de Góis. Em prol de Góis fomos bem-sucedidos, fechando hoje aqui com “chave de ouro” esta nossa iniciativa.”

 

Nesta longa caminhada feita de tenacidade e brio, algumas barreiras tiveram de serem vencidas, alguns escolhos encontrados no caminho tiveram de ser removidos, mas algo de importante foi conseguido que deixa o Conselho Regional orgulhoso por ajudar a “entregar o seu a seu dono”. Assim, os goienses já não se podem sentir órfãos, ou despojados de algo que faz parte da sua identidade histórica.

Mais á frente o presidente do CR deixou os seguintes agradecimentos:

 

“Neste momento não podemos esquecer o contributo dado pelos Srs. Presidente e Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz, respetivamente Dr. João Albino das Neves e Dr. António Tavares, e pela Sra. Presidente da Câmara Municipal de Góis, Dra. Maria Lurdes Castanheira, a quem apresentamos os nossos agradecimentos, porque sem os seus contributos não seria possível este momento. Quero também estender estes agradecimentos ao Mestre João Simões por nos ter dado o mote e o apoio necessário para esta nossa cruzada.

Para finalizar, queria ressalvar que este resultado será um dos melhores exemplos do que pode resultar da parceria entre o Conselho Regional da Casa do Concelho de Góis e a Câmara Municipal de Góis, salientando que estaremos sempre disponíveis para realizar parcerias, quer com a Câmara Municipal quer com outras organizações, que tenham como objetivo a divulgação de Góis e das suas gentes.”

 

Foi uma jornada importante que deu visibilidade, não só a este espaço que Góis bem carecia, como ainda trouxe ao conhecimento da população em geral, factos importantes da sua história que a espuma dos dias permitiu recolocar em seu sitio.

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por penedo às 19:56

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Domingo, 2 de Junho de 2013

POTENCIALIDADES ENERGÉTICAS

 Adriano Pacheco

 

A floresta é um dos bens mais preciosos da nossa região que nem sempre foi devidamente apreciado, era tido como algo que cresce espontaneamente e que apenas dava trabalho duro e, só lá de vez em quando, podia oferecer um escasso rendimento anual. Nunca foi entendido como uma das riquezas rentáveis e duradouras a longo prazo. Nunca integrou um projeto organizado de modo a seduzir investimentos avultados, bem pelo contrário, esteve sempre entregue a curiosos e oportunistas que se aproveitaram para explorar a floresta de forma avulsa, desregrada e sem consciência da sua preservação, fator principal para uma saudável renovação. Também a política das florestas nunca foi algo visível!

 

A floresta cresceu connosco, sempre esteve próxima e nos deu uma relação diária normal, a sua beleza era algo que estava entranhada no quotidiano do serrano, fazia parte da sua vida de tal forma que ele próprio não lhe dava o devido realce. Quem vive no meio duma beleza natural tão forte, aceita-a com toda a normalidade sem a destacar. Olha a flores da acácia como prenúncio da primavera sem qualquer espanto. Aceita a flor da carqueja como aceita o luar de agosto sem que algo lhe desperte a atenção. Olha para as pinhas que caem do pinheiro tal como olha para um fruto maduro que cai duma árvore. Recebe a chuva e convive com ela sem qualquer constrangimento. O serrano e a natureza convivem dentro duma relação amistosa e de conveniência. Nada mais.

 

No entanto e curiosamente, hoje vê-se que tudo isto são produtos que entraram na rede comercial com toda a aceitação ao encontrá-los expostos nos supermercados. A própria corcódea (casca do pinheiro) que foi sempre entendida como restolho do pinheiro e que para nada servia, a não ser para as queimadas, hoje é utilizada nos canteiros dos jardins e pode ser matéria-prima geradora de energia de biomassa. É a ciência ao serviço do aproveitamento dos desperdícios florestais.

 

Sendo tudo isto produtos da nossa região, tidos por nós como lixo incómodo da floresta, será que os investidores ainda não viram que aqui está um filão pronto a ser explorado? Assim haja alguém com sentido empreendedor e disposto a fazer investimento num projeto devidamente estudado a longo prazo. Estamos à espera que alguém, vindo de fora, se atreva a arriscar num negócio que oferece boas perspetivas?... É uma situação idêntica à da água que, no nosso espaço, brota por todo o lado e vai alimentar uma cadeia de barragens hidráulicas e todos os interesses inerentes. Contudo, a eletricidade produzida chega às nossas habitações paga ao mesmo preço que noutra cidade qualquer (?) Isto para não falar da água de consumo que jorra da nossa torneira que tem o mesmo critério de exploração!

 

Estamos a falar das potencialidades da nossa região que podem ser aproveitadas para vários fins, nomeadamente para alimentação de fonte energética. Tema que vai ser apresentado e discutido na Casa do C. de Góis por técnicos especializados das várias fontes energéticas no dia um do próximo mês, com o propósito de chamar a atenção dos interessados diretos da floresta, da energia eólica, hídrica e biomassa que têm a oportunidade de poderem aumentar os seus conhecimentos sobre o assunto e ficarem cientes das potencialidades que a região possui.

publicado por penedo às 20:26

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Quinta-feira, 21 de Março de 2013

GRANDE FESTIVAL NA CASA DO C. DE GÓIS

 

Adriano Pacheco

 

 

Grande tarde cultural na Casa do Concelho de Góis, apresentada pela Associação Educativa e Recreativa de Góis –AERG através de quatro das suas várias secções, promovida pelo Conselho Regional da Casa Concelhia e apoiada pela Câmara Municipal com os meios de transporte que pôs à disposição. Logo de início exibiram-se os executantes da secção do Judo com belas demonstrações da sua arte, desde os juvenis aos seniores onde se encontrava o Bernardo, um vice-campeão, orientados pelo Mestre Raul Valente que assim mostrou belo e profícuo trabalho de dedicação e esforço.

Seguiu-se depois o grupo de concertinas, com elementos representantes dos vários escalões etários que executaram, com o som vibrante deste instrumento, vários números musicais privilegiando o folclore português de todos bem conhecido, em detrimento do típico folclore serrano, o que de certo modo causou alguma estranheza… foi pena.

Atuou depois o grupo coral misto, com trinta elementos agrupados em vários naipes de vozes bem definidos, com bela apresentação, bem afinado, cantando vários números da música ligeira portuguesa, superiormente dirigido pelo Maestro Avelino Correia. Trata-se de facto dum grupo bem composto, com várias vozes, fazendo-se ouvir com muito agrado ao nível de qualquer coro de nomeada que temos ouvido. Bem sabemos que os seus elementos são todos amadores, como a maioria destes grupos, mas não entendemos por que existe apenas para consumo interno e sem qualquer visibilidade.

Por fim evoluiu a Filarmónica Goiense com um bom número de executantes em instrumentos de sopro, que atuaram em pequenos grupos separados, segundo as peças que iam tocando, um dos quais o malabarista em bondós e por fim a filarmónica no seu todo. Ouviu-se assim boa música de belas peças que ajudaram a criar o ambiente agradável que se viveu no auditório da Casa do Concelho de Góis, durante uma bela tarde cultural, com três ou quatro horas de música.

Ainda que todas as seções se exibissem dentro do seu melhor, não podemos deixar de realçar o nível superior do grupo coral que bem se podia mostrar em outro palco do país sem qualquer complexo de inferioridade, antes pelo contrário, mostrou bem a sua afinação enquadrada com as várias vozes e na sua bela postura. Bem sabemos que os elementos fazem deste trabalho o seu hobby, mas voltamos a frisar que não compreendemos porque existe apenas para consumo dentro de portas, ficando assim a dúvida de que a sua qualidade seja devidamente apreciada. Falta-lhe apenas um palco, uma montra que lhe desse outra visibilidade. Se fosse uma equipa de futebol com este nível, claro que a sua projeção seria outra!...

Gostaríamos de destacar aqui e chamar a atenção para o grande trabalho sociocultural levado a cabo pelos Secionistas, Mestres e Maestros dentro duma Associação que luta com as dificuldades inerentes, num tempo em que a cultura, a nível nacional, não é uma das prioridades das entidades governamentais. Ficando deste modo invisível o esforço e o alto contributo cultural que esta coletividade presta à sociedade em geral e em particular à goiense, trabalho esse que só o tempo nos dará conta. Sobressai aqui a grande capacidade organizativa e disciplinar do presidente da AERG, Rui Sampaio que, sem exibicionismos nem jactâncias, vai dando o melhor de si colaborando e administrando esta enorme coletividade.

xPor fim ouvimos os agradecimentos do Dr. Luís Martins por parte do Concelho Regional, o vice- presidente da Câmara Municipal Dr. José Rodrigues, presidente da Assembleia Municipal, o próprio presidente da AERG, Rui Sampaio e do presidente da Casa, José Santos, que elogiou o belo espetáculo que tínhamos assistido, destacando o número de jovens executantes e pediu ao Rui Sampaio que continuasse com a sua meritória missão, acabando por lhe fazer entrega de pequenas lembranças.

A tarde terminou com um abundante lanche para todos os que ali se encontravam.

 

 

 

 

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Domingo, 20 de Janeiro de 2013

OS JOVENS E O REGIONALISMO

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    Adriano Pacheco

 

O evento recentemente ocorrido na Casa do C. de Góis veio, novamente, avivar este tema que de vez em quando salta para a ordem do dia, onde são aflorados as mais diversas vertentes, ainda que um pouco pela rama, segundo a sensibilidade e o ponto de vista de cada um. Esta agitação mostra como o assunto é pertinente e ocupa a mente dos civicamente mais conscientes. Na verdade, trata-se duma matéria da maior relevância para a região, tendo em conta o passado histórico do regionalismo e o contributo que tem dado no que diz respeito à defesa do bem-estar das populações. É claro que “hoje faz sentido discutir-se o regionalismo.”

 

Acontece que a sociedade na sua padronização e composição se vai alterando constantemente para outros padrões de “modernidade”, donde não podemos isentar-nos de responsabilidades pelo facto de hoje nos confrontarmos com a falta de rejuvenescimento das direcções das colectividades, bem como pelos antigos processos de actuação e pelas prioridades estabelecidas que chegam a ser confrangedoras pela ausência de inovação e de pontos de vista alargados.

 

Aos veteranos de todos os tempos, não se lhes pode negar o enorme mérito pelo seu largo contributo no desempenho das suas funções, numa época de grandes dificuldades, enormes carências e de realidades cheias de obstáculos. Nunca lhes seremos suficientemente gratos, mas chegou a hora da sua passagem do testemunho. Chegámos ao fim dum ciclo, a vida é assim… feita de mudança!

 

Aos jovens, deve ser-lhes franqueadas as portas da liderança das colectividades, não como meros colaboradores como tem vindo a verificar-se, mas sim pela assumpção das responsabilidades do caminho que querem trilhar, com iniciativas que julgarem necessárias. Aqui o paternalismo é completamente dispensável, deve ser-lhes propiciado todo o espaço possível para voarem, porque “asas” já sabemos que eles têm. Eles não necessitam de seguirem as pisadas de ninguém, nem de utilizarem modelos obsoletos, precisam sim “de se chegarem à frente” e de assumirem as suas responsabilidades. O regionalismo aguarda a sua chegada.

 

No reino do regionalismo, há que assumi-lo, nem tudo vai bem, com excepção de duas ou três colectividades. E quem não quiser assumir esta gritante realidade resvala para a mistificação do que está aos olhos de todos, dando cobertura “AO MAIS DO MESMO”. Podemos lamentar o despovoamento que nos confrange, podemos aceitar o envelhecimento da população como inevitabilidade, mas não podemos dissimular uma realidade que aos poucos se vai degradando. Enfrentar esta situação é postura sensata a pôr em prática.

 

 

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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2013

Os Talentos e o Regionalismo!...

     
Reportando-me ao tema que li no blogue Penedos de Góis, artigo de autoria do Sr.Adriano Pacheco,texto que gostei de ler e no qual salientaria os parágrafos,segundo,terceiro e quarto.


Na realidade tem este novo e renovado Conselho Regional da Casa Concelhia de Góis,vindo a fazer e a trazer à Capital,iniciativas e eventos  de realçar e cujo êxito é meritório, durante o ano que ora findou.
Muita coisa do meu ponto de vista podia aqui apontar,para futuras iniciativas do CR,Conselho Regional, mas estou em crer que os "novos talentos"sabem de certo encontrar o devido entrosamento com o regionalismo que se quer de futuro e para o futuro.
Não tenho dúvida alguma que nós, o Zé Povinho,valoriza-mos os nossos jovens  talentos, mas a montra a ser feita, deveria se-la no próprio Concelho,em local apropriado,(biblioteca municipal,
Associação de Góis, ou outro local emblemático da capital do Ceira ),tendo como data o feriado do Concelho por exemplo.
Para melhor e maior dimensão,bastava que entre as Comissões e Ligas de Melhoramentos,ouve-se maior e melhor interligação entre elas e a edilidade, que  fossem reconhecidas com o estatuto de parceiros sociais e culturais e usufruíssem de um tratamento mais activo e responsável dos poderes instituídos e não como meros agentes passivos os quais recebem por vezes "algumas migalhas monetárias", sem que lhes sejam pedidas também, qualquer responsabilidade ou contra partida sobre o emprego das ditas.
Salvo algumas ocasiões o Órgão Regionalismo ou Regionalista,não lhe tem sido dado o devido valor,senão em circunstâncias análogas como no referido evento, aonde lhe é reconhecido e valorizado «como património cultural riquíssimo da nossa região».
O tempo do fontanário,do lavadouro,dos arruamentos...benfeitorías e conquistas realizadas há muito, com muito empenho e sacrifício dos ditos Veteranos e suas populações,quando o poder autárquico de então era de uma fachada, servindo muitas vezes para atestar o estado de pobreza dos seus fregueses.
Não passou assim tanto sobre o mesmo, porque todo esse património precisa de cuidados de conservação, manutenção e preservação periódicas,restituindo-lhes o valor intrínseco para a razão que foram criados, o abastecimento de águas,um bem precioso que em algumas aldeias do Concelho está furtado o seu uso e utilidade. Obras que foram custeadas pela acção popular e que hoje os serviços municipais e camarários lhes tem vedado a usufruição de pleno direito, daquilo que é do Povo e foi feito pelo Povo.Mas não deixa de ser verdade que alguns Veteranos agarrados ainda ao passado,têm ajudado ao definhar do Regionalismo. Buscam por vezes os jovens só para preencher os lugares dos corpos dirigentes das comissões, mas na prática e na realidade cortam-lhes o asseço à responsabilização dos cargos para que foram eleitos continuando teimosamente a ser omnipresentes.
Quanto ao tempo..."só tem tempo, quem não tem tempo" é uma verdade sim, pena é, que muitas vezes se tenha que dar o tempo por mal empregue e perdido,perante a percistência da dita uni-pessoalidade de alguns dirigentes, e não abrindo mão muitas vezes aos mais jovens.
Hoje na era da Internet, a falta de utilização dos meios de comunicação existentes não se coadunam,para uma maior celeridade dos problemas e maior comunicação entre as comunidades em moldes mais acessíveis e funcionais, como por exemplo em vídeo-conferência,mensagens que opinem situações,ou  um outro.Aqui também as populações em conjunto, ou a nível individual podiam ser mais participativas com as suas Comissões transmitindo as carências e os seus anseios, de forma construtiva.
"Talvez seja  a incapacidade de enxergar!"
Quanto ao regionalismo à distância,estarei em condições de afirmar, que ainda com moldes um pouco convencionias, isto na década de oitenta,uma secção na qual eu estive integrado, composta por jovens;participou,apresentou,realizou inúmeras actividades,levando até à aldeia os projectos aprovados em Lisboa,um conjunto de talentos sim,que deixaram obra feita!
O Regionalismo precisa sim de se modernizar,criando consensos e aberturas ás inovações sem que tenha que enaltecer e promover os talentos,podendo estes até criarem  crivos, sem os querer. O que é necessário é congregar vontades, ideias novas e quem goste de partilhar e participar livremente sem constrangimentos ou imposições de qualquer espécie,mas dentro das normas cívicas,apelando ao voluntariádo e participação activa das populações,incumbindo-as de pequenos trabalhos comunitários,aonde cada um se sinta que é útil e é bem vinda a sua participação,e boa vontade.
Talvez um caminho a seguir entre outros, seria as Comissões,Ligas e Uniões,criarem entre elas elos de convergência,como ex:agrupamentos por zonas ou freguesias,definindo os rumos  a seguir,determinado prioridades,com mais espírito colectivo e abrangente e menos bairrismo,
cujas decisões seriam então apresentadas ao CR  e este ser a entidade que avalizava as mesmas, estabelecendo prioridades, e não o compadrio ou qualquer espécie de favoritismo,levando-as ás entidades competentes.
Há um longo caminho a percorrer,o fosso existente é grande sim,se o Regionalismo quer sobreviver,tem que trilhar outros campos, tais como;no social,cultural,ambiental,paisagistico,
laboral,desportivo,criar melhores acessibilidades nas vias de transporte e no voluntariádo social aos mais carenciados.
Julgo que é preciso estimular a juventude dando-lhes a oportunidade de participar na construção de algo novo,mostrando cada um, as suas capacidades o seu valor e talento,no meio em que estão inseridos,pois assim se contrói uma nova sociedade.
Tentar encontrar culpados é fácil, difícil será ultrapassar  os erros cometidos nas últimas três décadas,no entanto, os Veteranos pela obra feita merecem um aplauso!

A desmotivação de algumas pessoas, é criada por erros que persistem,e sendo assim, mais nada  nos resta por vezes,que fechar um ciclo de permanência,no seio de Regionalismo.

Adriano R.Filipe

in

http://lugarvelhosobreiras.blogspot.pt/

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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2012

A FACIG E A FESTA DE ALVARES

 fotos adriano.jpg 

    Adriano Pacheco

 

Compromissos anteriormente assumidos, levaram-nos a uma breve passagem pela linda capital do Ceira, junto à margem deste rio, onde se encontrava instalada a FACIG, exposição que se vem desenvolvendo com stands vários, alguns dos quais representantes de empresas comerciais, instituições e colectividades regionalistas, que mostram bem a dinâmica sócio-económica que este certame vem ampliando numa zona bem necessitada. Pese embora o grande impacto desta feira, ela ainda não foi devidamente compreendida pelo tecido empresarial da região, ou a sua dimensão ainda não provocou o salto necessário.

 

A Casa do Concelho de Góis, com sede em Lisboa, pela segunda vez, fez-se representar dando ênfase ao tema: “profissões populares desenvolvidas por gentes goienses na cidade de Lisboa”, onde criaram o seu espaço, deram o seu contributo, marcando a história da sociedade lisboeta. Junto dos apetrechos inerentes às profissões encontravam-se também obras literárias de escritores desta região, nomeadamente “O Moço de Esquina”, recentemente publicado na Casa concelhia. Assim vai dando conta do seu propósito.

 

Como não podia deixar de ser, acompanharmos de perto, os festejos da Vila de Alvares, não só para matar saudades, mas também para sentir as mudanças comportamentais dum povo que se manifesta em momentos de euforia, ou se pelo contrário continua alimentando tradições ancestrais para dar brilho a algo que lhe é intrínseco. Cedo nos apercebemos de que o momento não era o mais indicado para avaliar essa eventual mudança, uma vez que vivemos um tempo de “vacas magras”, se é que elas alguma vez foram gordas para estas bandas. Contudo, já não existe, obrigatoriamente no menu, a celebre sopa de grão-de-bico ( vide livro “A Vila do Burel”) o que não deixa de ser uma alteração, para o bem e para o mal.

 

De louvar o empenhamento e a coragem dos Mordomos da Festa ao conseguirem mobilizar e dinamizar todos os recursos ao seu alcance, usando de alguma criatividade e imaginação para levarem a cabo a sua missão, coisa que não é fácil nos tempos que decorrem. Que o digam aqueles que já por lá passaram e que se esfolaram a contar os tostões para pagarem a todos (rigorosamente a todos) aqueles que prestaram um pequeno e leve serviço.

 

Estes eventos, como outros desenvolvidos em aldeias de magros recursos, são sempre um enorme desafio para quem abraça esta missão. Importa por isso seguir uma política de contenção de custos. Desconhecendo o resultado contabilístico do evento, deseja-se que ele seja favorável a quem tanto se esforçou, porque se assim não for, para além do seu enorme trabalho, ainda têm de pôr dinheiro do seu bolso (?)

 

Trabalhos à parte, temos de dizer que as festas nas aldeias têm o grande mérito de contribuírem para o reencontro dos conterrâneos no local onde nasceram e viveram os primeiros anos de vida, recordando com saudade os seus tempos de meninice com todas as traquinices que lhes eram próprias. Têm também a grande virtude de virem dar ânimo às aldeias que se encontram deprimidas, transmitindo-lhe novo folgo de vida, maior movimento que é o que necessitam. Importante é lembrar que este pormenor não pode passar despercebido às autoridades deste Concelho.

A lástima reside apenas na particularidade de que as pessoas se deslocam às suas aldeias apenas em dias festivos, o que é muito pouco e… uma enorme pena!..

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Sexta-feira, 27 de Julho de 2012

Casa do Concelho de Góis na FACIG

publicado por penedo às 01:01

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Domingo, 17 de Junho de 2012

“O MOÇO DE ESQUINA”

 

NA CASA DO CONCELHO DE GÓIS

 

 

 

Com a mesa composta pelo presidente do Conselho Regional Dr. Luís Martins, Dr. Jorge Luís representante da Câmara M. de Lisboa e técnico do Gabinete de Estudos Olisiponenses, Eng.º João Coelho revisor do texto e ex-presidente da Casa de Pedrógão Grande e Adriano Pacheco autor do livro “O Moço de Esquina”, o presidente da Mesa d’Honra deu início à sessão, começando por dizer que o evento fazia parte do programa cultural da Casa no corrente ano.

 

De seguida transmitiu os motivos da ausência da Senhora Presidente da Câmara Municipal de Góis, Dr.ª. Maria de Lurdes Castanheira, bem como do Senhor Presidente da Assembleia Municipal, passando de imediato à apresentação do convidado d’honra, como primeiro representante da Autarquia Lisbonense a visitar a Casa Regional do Concelho de Góis e Antropólogo do Gabinete de Estudos da Câmara de Lisboa, depois falou do Eng.º João Coelho como apresentador do livro em questão, terminandoem Adriano Pachecoautor do referido livro e de várias outras obras por si publicadas, bem conhecidas do público.

 

Com o salão bem preenchido, acomodando à volta de 50 pessoas, algumas das quais vindas de fora da capital, o Eng.º João Coelho iniciou a apresentação do livro “O Moço de Esquina”, dando relevo a todo o contexto de acção do protagonista, incluindo os vários cenários onde se movimentava, não esquecendo os ideais que prosseguia e as vivências que ia acumulando. Revelando assim a capacidade do autor em conseguir elaborar uma obra ficcionada, com base numa história verdadeira, chamando-lhe por isso um romance histórico, caminho que estava a desbravar num espaço que ia assim descobrindo.

 

Depois, o apresentador, num rasgo de eloquência e sabedoria, acompanhado de um bem elaborado trabalho em power point, de autoria de Gina Barata, projectando cenários das antigas profissões das ruas de Lisboa, foi dando conta da origem dos aguadeiros, da execução das suas tarefas, bem como da existência dos chafarizes. Do mesmo modo foi esclarecendo a proveniência dos transportes citadinos, destacando o célebre “Chora” que veio mais tarde a criar a camionagem Eduardo Jorge, homem natural de Arganil. Foram momentos enriquecedores de conhecimento em que se revelaram espaços frequentados pelo protagonista do “Moço de Esquina”.

 

Depois das breves palavras do representante da Câmara de Lisboa que disse da honra que teve em ter sido convidado para aquele evento, foi dada a palavra a Adriano Pacheco, autor do livro, que começou por cumprimentar os elementos da mesa e agradecer à Casa do Concelho de Góis, a toda a plateia presente e ao Dr., Jorge Luís, dando a conhecer o cartão de agradecimento da senhora Vereadora da Cultura da Câmara de Lisboa, Dr.ª Catarina Vaz Pinto. Enaltecendo o enorme prazer que lhe deu transmitir esta história que lhe acalentava o espírito, dadas as circunstância em que ela foi crescendo.

 

Abordou com ênfase, a escassez quase ausência de informação sobre o tema, bem como as dificuldades encontradas na busca de suporte para os custos de impressão gráfica do trabalho, suprido pelo contributo da Casa do Concelho de Góis, Câmara Municipal de Góis e o restante (talhada de leão) pela Gráfica Olegário Fernandes, SA, sem a qual o autor, para lá do seu trabalho e despesas inerentes, teria de suportar esse custo.

 

Os efeitos da crise que estamos a atravessar, sentem-se em todo o lado e atingem fortemente árias, como a da cultura, ainda tida como algo de supérfluo. Onde falta o pão do corpo, o primeiro a ser sacrificado é o pão do espírito.

 

 

in

 

jornal  "O Varzeense "

publicado por penedo às 10:36

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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

“O Moço de Esquina” – 26 de Maio , Casa Concelho de Gois

 O livro "O Moço de Esquina" de Adriano Pacheco  será apresentado no dia 26 na Casa do Concelho de Góis.  15 h.

 

                                              

    fotos adriano.jpg   ccgois  azuleijo.JPG   

     Adriano Pacheco

 

São tantos beirões que deixaram as suas aldeias em busca duma vida melhor, tantos que ainda hoje não sabemos, nem fazemos ideia, de quantos foram e para onde foram mourejar, na esperança de erguerem uma vida digna, feita de trabalho, talvez aventura, com sucesso ou insucesso. Supostamente fazendo tudo aquilo que mais ninguém queria fazer, para sustentarem a sua família e arranjarem o “pé-de-meia” para acautelarem um futuro incerto.

 

Somos tantos os desenraizados que ao longo dos tempos se foram adaptando aos novos hábitos das regiões de acolhimento, num propósito de serem assimilados e de vencerem dificuldades que a vida lhes ia colocando no caminho, sempre com a melhor dos desempenhos e coragem perante adversidades que iam surgindo. Somos tantos que ainda estatística nenhuma, ou estudo, falou de nós como se fossemos mais uns tantos nesta terra de ninguém.

 

Continuamos a ser muitos os que agora habitam espaços citadinos, ou labutam na lezíria do Ribatejo, quem sabe se na planície do Alentejo, sentindo-se mais de lá do que de cá. De tal sorte, que sobre esta diáspora pouco conhecida, fora dos grandes estudos sociológicos que nos diga, tanto quanto possível, quantos deixaram a sua aldeia serrana, para onde foram, o que fizeram e o que são hoje nessa terra onde se encontrem. Somos tantos que mal poderemos fazer uma ideia, para já não falar dos descendentes de segundas e terceiras gerações. Mas estes, certamente, poderão ser encontrados nas universidades, nas autarquias, nas grandes empresas e até mesmo no seio dos governantes. O beirão é assim…

 

Curiosamente, ou talvez não, nos vários ramos de negócio e nas velhas profissões populares, típicas duma cidade milenar como Lisboa, ainda é possível encontrar-se resquícios bem vivos da passagem de conterrâneos que fizeram vida digna de registo nesta cidade: foram eles estivadores, bagageiros, marçanos, almeidas, engraxadores, cauteleiros, taxistas etc. Sobre os quais já se escreveu abundantemente ao longo destes anos de aprendiz de escriba.

 

Porém, ainda nos falta falar da mais típica e popular profissão das ruas da cidade de Lisboa a quem lhe chamavam “moço de esquina”, ou “moço de fretes”, actividade credenciada pela Câmara desta cidade, que apenas requeria alguma força muscular, esperteza, matreirice e toda a disponibilidade para ajudar a resolver problemas surgidos à última hora. Dentro em breve teremos um trabalho sobre este tema.

O seu proverbial conhecimento sobre as ruas e becos da cidade e a sua reconhecida figura de boné e corda ao ombro, são símbolos próprios desta velha profissão que já não existe. Nada, nem ninguém, sabia mais sobre a sociedade citadina do que este homem dotado de grande afabilidade e de boa disposição. A sua prosápia era de tal maneira contagiante que não deixava ninguém indiferente, nem sem resposta.

 

Estes homens de baixa estatura e de boas cores, eram todos, ou quase todos, dos concelhos de Góis, Arganil e de Pampilhosa da Serra, tanto quanto nos é dado conhecer e a vida nos ensinou.

 

 

Moço de Esquina

 


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Terça-feira, 22 de Maio de 2012

Moços de Esquina

Gente de Ádela trabalhando no duro em Lisboa como Moços de Esquina


Esta foto foi tirada nos anos trinta do século passado numa rua de Lisboa.
Os homens da serra vinham para a capital em busca de alguns tostões que escasseavam na terra e para isso tinam de se sujeitar a trabalhos duros.
Na foto, da esquerda para a direita: António Lourenço, Manuel Fortunato e Armando Domingues.
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2012

O MOÇO DE ESQUINA

 
 
 
Rufino Rosa teria, em tempos, vindo para Lisboa pela mão de sua mãe Dulcineia, em busca da cura para o seu mal junto da Nossa Senhora da Saúde, que se dizia milagrosa em doenças estranhas. Dulcineia, viera também à cata duma vida em que pudesse sobreviver de cara levantada sem sentir a sobrecarga do anátema de ser mãe solteira, que tanto a martirizava com os olhares enviesados, provindos da censura duma sociedade patriarcal e moralista.

TRABALHO A PUBLICAR BREVEMENTE

 

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Terça-feira, 6 de Março de 2012

Casa do Concelho de Góis (II) – Passado de Orgulho

 
  Fernando J. Bandeira da Cunha (Dr*)


Os movimentos de migração do século XX foram fundamentais para alguns concelhos do Pinhal Interior com particular relevância para concelhos mais fragilizados como era o caso de Góis. Concelho com escassos recursos naturais e de características serranas, saído de um período áureo do Volfrâmio, que se esfumou no pós guerra, com uma vida assente na agricultura, em solos pouco férteis, cedo na vida surge a vontade de melhorar as condições de vida. Essa melhoria não era satisfeita pelas deslocações sazonais á Estremadura e Alentejo para trabalhar na agricultura, com regresso no ano seguinte. Estes trabalhadores chamados de “ratinhos” ficam com a aspiração de ir mais além, para Lisboa, como um passo definitivo de melhoria de sua vida e da sua família. “Se a fome aperta, que remédio senão abalar” escreveu Miguel Torga, grande conhecedor dos movimentos migratórios da Beira.
A experiência na grande cidade, a formação académica adquirida e as viagens á “terra” em período de férias, fez crescer nestes homens e mulheres um maior amor pelas suas origens e a ânsia de transportar para ela os modos de vida aprendidos em Lisboa. Se o fluxo de migração, teve origem na pobreza e na falta de expectativas de futuro, já a possibilidade do Associativismo Regionalista tem origem numa vida melhor e consolidada em Lisboa permitindo que o seu pensamento se virasse para as origens, na ânsia de contribuir para a sua modernização.
     Para os goienses essa ânsia começa pela formação de uma Comissão Instaladora da Casa do Concelho de Góis impulsionada e formada por: Dr. Raul Baeta Henriques, Dr. Mário Nogueira Ramos, Francisco Barata Dinis e Ten. José Maria Gouveia, com o objectivo de se constituir a Casa de todos os goienses em Lisboa com as portas abertas a todos quantos a queiram visitar, dotada de secretaria, salão para assembleias gerais, salas para reuniões, bar, correio, telefone e biblioteca de apoio aos goienses a titulo individual e ás Comissões de Melhoramentos.
Para a história da C.C. Góis fica um 1º Período (1954-1959) que coincide com “O arranque” do projecto e que foi liderado pelas Presidências do Dr. Mário Nogueira Ramos (1954-1955) e Dr. José Maria Poiares (1956-1959) tendo a seu lado como Presidente da Assembleia Geral o Dr. Alfredo Simões Travassos (1954-1974), no Conselho Regional o Dr. Francisco Augusto Cortez (1954-1958) e no Conselho Fiscal, Francisco Barata Dias (1954-1955), Dr. Mário Nogueira Ramos (1956), Francisco Barata Dias (1957), Frederico Nogueira de Carvalho (1958) e Comandante José Maria Gouveia (1959).
Estes 5 anos ficam marcados pelos 200 associados logo no 1º ano e pela saída da Casa da Comarca de Arganil e entrada na Casa das Beiras onde provisoriamente ficaria a sede. Surge a primeira intervenção para o desenvolvimento de Góis conseguindo-se uma grande dinamização das carreiras rodoviárias que serviam o concelho. Factor marcante foi a inauguração em 17-02-1957 da sede própria na R. de Santa Marta, 47 em Lisboa.

 



 

 

 

 

 

O 2º Período (1960-1962) passa-se “Em velocidade de cruzeiro” sob as Presidências do Comandante José Maria Gouveia (1960) e Eng. Leonel Martins Gonçalves (1961-1962), com o Dr. Alfredo Simões Travassos na Presidência da Assembleia Geral (1954-1974), o Eng. Carlos Baeta Neves (1959-1973) no Conselho Regional e o Dr. José Maria Poiares (1960-1978) no Conselho Fiscal.
Nestes 2 anos surge a criação da Secção Feminina e da Secção Cultural-Desportiva e a assistência social a goienses em dificuldades. A sede da C.C. Góis é amplamente aproveitada para animações culturais e de convívio entre goienses e não goienses. Surge a primeira revisão dos Estatutos e a primeira tentativa da criação do primeiro hospital, dedicando a C.C.Góis, já nessa altura, grande atenção na área da saúde.
O 3º Período (1963-1974) fica marcado pela construção do “Colégio” de Góis, propriedade da C. C. Góis, sob as Presidências de Fernando Almeida Carneiro (1963-1969), Armando Gualter C. Nogueira (1970-1971) e Eng. José Rui Neves Cortez (1972-1974), com o Dr. Alfredo Simões Travassos (1954-1974) na Presidência da Assembleia Geral, o Eng. Manuel Nogueira Ramos (1974-1978) no Conselho Regional e o Dr. José Maria Poiares (1960-1978) no Conselho Fiscal.
Estes 11 anos ficam marcados pelo esforço de construção do Colégio de Góis, um projecto do Engº Rui Cortez que obteve o apoio fundamental do Comendador Augusto Rodrigues. A inauguração do Colégio em 19-10-1969, a cedência gratuita ao Estado e a liquidação total dos encargos financeiros constituem um marco para todos os goienses e uma obra fundamental que ainda hoje constitui um pilar financeiro importante da C.C.Góis.
O 4º Período (1975-1981) surge com as “Águas agitadas” do 25 de Abril de 1974 e com o período do PREC, sob as Presidências de Silvano Baptista de Almeida (1977-1978) e Dr. José Maria Poiares (1979-1981), com o Eng. Carlos Baeta Neves (1975-1978) e Dr. Alfredo Simões Travassos (1979-1981) na Presidência da Assembleia Geral, o Eng. Carlos Baeta Neves (1979-1983) no Conselho Regional e Frederico Nogueira de Carvalho (1979-2000) no Conselho Fiscal.
Neste anos de agitação social a C.C.Góis assiste a grandes lutas internas pela sua gestão e direcção. Sobrevive, reestruturando-se e reorganizando-se num novo modelo de gestão oficializado pela alteração, actualização e blindagem dos seus Estatutos. Como principal aspecto positivo desta época destaca-se a importante aquisição das instalações da sede em 1979, ano das suas Bodas de Prata da Casa.
O 5º Período (1982-2009) surge como “Consolidação” dos objectivos da Casa do Concelho de Góis consolidando a pacificação da sua gestão sob as Presidências de José de Matos Cruz (1982-2000) e José Dias Santos (2001-2012), com o Dr. José Dias dos Santos Pais (1982-1983), Eng. Carlos Baeta Neves (1984-1987), Eng. Manuel Nogueira Ramos (1988-2000) e Prof. Dr. Carlos Alberto Silva Poiares (2001-2011) na Presidência da Assembleia Geral, o Eng. Manuel Nogueira Ramos (1984-1987), Prof. Dr. Carlos Alberto Silva Poiares (1988-2000), Eng. João Nogueira Ramos (2001-2006) e José Matos Cruz (2007-2008) no Conselho Regional e António Lopes Machado (2001-2008) no Conselho Fiscal.
São os anos marcados pelas obras de beneficiação e remodelação da sede, inauguradas em 26-11-1988, pela participação nos Jogos Tradicionais de Lisboa e pelo equilíbrio financeiro. As contribuições para o desenvolvimento do Concelho de Góis desde 1954 a 2009 foram premiadas com a Entrega da Medalha de Mérito do Concelho concedida pela Câmara Municipal de Góis.
O 6º Período (2010-2012) surge como o “Novo paradigma” numa vontade férrea de modernização da C.C. Góis sob a Presidência de José Dias Santos (2001-2012), com o Prof. Dr. Carlos Alberto Poiares (2001-2012) na Presidência da Assembleia Geral, o Dr. Luís Filipe Martins (2010-2012) no Conselho Regional e António Lopes Machado (2001-2012) no Conselho Fiscal.
Este período em curso tem-se pautado por um concreto aumento do dinamismo das acções na Casa, sempre difícil após as excelentes acções comemorativas dos 80 anos do Regionalismo Goiense, pelo reconhecimento da Autarquia como parceiros sociais e por um esforço de integração nas novas tecnologias (internet wireless, site, mail, facebook com 638 amigos), como factor fundamental de captar juventude interessada em promover ideias e acções concretas em prol de uma região, o Concelho de Góis.
Se o Regionalismo é o gosto pelo desenvolvimento de uma região, então a Casa do Concelho de Góis é uma incubadora de ideias e sua concretização, onde em todas as reuniões se encontram goienses que, independentemente de estratos sociais, profissões, sectores políticos ou credos, investem parte do seu tempo para pensarem comum, em Góis.

(Fonte: “Memórias e Esperanças”, João Nogueira Ramos, 2004, A Vila do Burel, Adriano Pacheco, 2010)

                                                                                                                                      (*) Farmacêutico

publicado por penedo às 00:18

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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

Casa do Concelho de Góis (I) – A essência do Regionalismo


  Fernando J. Bandeira da Cunha (Dr*)

O êxito que constituiu a presença (pela primeira vez) da Casa do Concelho de Góis, com stand próprio, na FACIG 2011 em Góis, teve também a virtude de concluirmos que várias gerações desconhecem a história do Regionalismo no Concelho de Góis e também as migrações que levaram á constituição da Casa do Concelho de Góis em Lisboa.
Antes da criação da Casa do Concelho no ano de 1954 já a história do Regionalismo Goiense se escrevia com a constituição de várias Comissões de Melhoramentos e nas dificuldades do fluxo migratório para Lisboa.
     A primeira Comissão de Melhoramentos de Góis fica para a história como sendo a Comissão de Melhoramentos de Roda Cimeira fundada em 1923, oficialmente constituída em 1928 como Sociedade de Melhoramentos de Roda Cimeira. Fruto das primeiras necessidades que conduziram ás migrações da população da freguesia de Alvares para Lisboa, mas também do apelo da terra de nascimento e do sonho da sua modernização. Homens e mulheres sentiram que se deveriam reunir e juntar esforços para que a sua terra tivesse para os que teimaram em ficar e para os que dela nunca se esqueceram, maior qualidade de habitabilidade numa zona de
pinhal interior onde as vias de comunicação eram o bem mais escasso, mas essencial para o comércio, cultura e modernidade.
A migração para Lisboa tem o seu inicio, se bem que incipiente nos finais dos anos 20 (Ditadura Militar), atingindo o seu pico nos anos 40 e 50, em pleno Estado Novo Salazarista, com o empobrecimento (a bem do País) e a ausência de expectativas das populações do pinhal interior, onde se situa Góis. Não é pois de estranhar a ânsia do Associativismo Regionalista, um arrojo para a época, só possível pela forma estatutária com que se objectivava a dedicação desta gente á sua terra de origem, motivo de sonhos, em transportar para ela vivências, qualidades e modos de vida que sentiram com a sua presença vivida e esforçada em Lisboa.
Se no inicio nada foi fácil, muitos vivendo colectivamente nas Casas de Malta e abraçando trabalhos ditos menores como, varredores (almeidas), engraxadores, barbeiros, estivadores, aguadeiros, limpa-chaminés e moços de esquina, após a fase de instalação e consolidação surge a preocupação académica como factor de acesso a uma vida melhor no comércio ou na pequena industria.
Foi assim que se constituíram pequenos e depois grandes empresários nos ramos de pastelaria, mercearia, drogaria, armazéns de géneros alimentares, actividade gráfica e mais tarde, restaurantes e cervejarias.
Homens de experiência feitos muitos ficaram na capital outros mudaram-se para a “terra”, agora já com outros meios, conhecimentos e formação, montaram comércios e empresas que ainda hoje perduram em mãos familiares, ou não, de segunda ou terceiras gerações.
Se o fluxo de migração, teve origem na pobreza e na falta de expectativas de futuro, já a possibilidade do Associativismo Regionalista tem origem numa vida melhor e consolidada em Lisboa permitindo que o seu pensamento se virasse para as origens, na ânsia de contribuir para a sua modernização.
Nascem assim todos os anos Comissões de Melhoramentos constituídas por residentes locais e por goienses em Lisboa: Freguesia de Alvares: Sociedade de Melhoramentos de Roda Cimeira (1928), Sociedade de Melhoramentos de Amioso Cimeiro (1929), Comissão de Melhoramentos de Cortes (1930), Comissão de Melhoramentos de Relva da Mó (1933), Comissão de Melhoramentos de Roda Fundeira (1934), Comissão de Melhoramentos de Amioso Fundeiro e Lomba (1935), Liga de Melhoramentos de Chã de Alvares (1937), União Progressiva de Amioso do Senhor (1941), Comissão de Melhoramentos do Povo de Amieiros (1944), Comissão de Melhoramentos de Mega Cimeira (1946), Liga de Melhoramentos da Telhada (1946), Comissão de Melhoramentos de Alvares (1947), Comissão de Melhoramentos de Obrais (1950), Comissão de Melhoramentos de Simantorta (1950), Comissão de Melhoramentos de Algares (1951), Comissão de Melhoramentos de Amiosinho (1953) e Sociedade de Melhoramentos de Casal Novo (1953); Freguesia do Cadafaz: Liga de Melhoramentos da Freguesia de Cadafaz (1932) e Comissão de Melhoramentos da Cabreira (1953); Freguesia do Colmeal: União Progressiva da Freguesia do Colmeal (1931), Comissão de Melhoramentos de Ádela (1936), Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais (1953) e Comissão de Melhoramentos de Soito (1954); Freguesia de V.N. Ceira: Comissão de Lisboa de Propaganda e Melhoramentos em Vila Nova do Ceira (1931) e Freguesia de Góis: Sociedade de Iniciativas e Propaganda de Góis (1929), Associação de Melhoramentos e Assistência de Ponte do Sotam (1931) e  Liga de Melhoramentos da Folgosa (1950), Comissão de Melhoramentos de Cerdeira de Góis (1952), Comissão de Melhoramentos de Ribeira Cimeira e Fundeira (1952), Comissão de Melhoramentos de Ladeiras de Góis (1953), União Regionalista das Povoações do Sotam (1953) e Comissão de Melhoramentos de Piães (1954).
Surge assim em 1954 a necessidade de uma estrutura de apoio em Lisboa, concretizada na fundação da Casa do Concelho de Góis, que teve a sua primeira Assembleia Geral em 4 de Dezembro de 1954 de aprovação dos estatutos e corpos sociais. De imediato a Casa do Concelho de Góis em Lisboa, além de servir de espaço de convívio dos goienses residentes em Lisboa, torna-se espaço de apoio e de colaboração das Comissões de Melhoramentos, onde, por vezes pela noite dentro, se sonhava, se discutia e planeava formas de suprir carências com o objectivo de modernizar o Concelho de Góis.
Como o poder local, na época com escassos meios distribuídos pelo poder central e com pouco poder executivo, via no associativismo regionalista um importante apoio de ideias concretizadoras, fomenta o continuo aparecimento de Comissões de Melhoramentos que se foram multiplicando até aos nossos dias: Na Freguesia de Alvares: União Progressiva de Milreu e Povoações Limítrofes (1956), Comissão de Melhoramentos de Estevianas (1978), Comissão de Progresso Amigos da Coelhosa (1983) e Comissão Os Amigos de Fonte Limpa (1985); Freguesia de Cadafaz: Comissão de Melhoramentos de Candosa (1955), Grupo dos Amigos de Capelo (1960), União Recreativa do Cadafaz (1962), Grupo “A Bem da Sandinha” (1962), Liga dos Amigos de Mestras (1966), Comissão de Melhoramentos de Corterredor (1975) e Comissão de Melhoramentos e Preservação do Tarrastal (1999); Freguesia de Colmeal: Liga dos Amigos de Aldeia Velha e Casais (1964), União e Progresso do Carvalhal (1970), Grupo de Amigos do Sobral, Saião e Salgado (1977) e Associação Amigos do Açor( 2002) Freguesia de V. N. Ceira: Associação dos Amigos da Várzea Pequena (1978); Freguesia de Góis: Comissão de Melhoramentos do Esporão (1955), Comissão de Melhoramentos de Povorais (1956), Comissão de Melhoramentos do Vale Torto (1957), Liga dos Amigos de Bordeiro (1960), Comissão de Melhoramentos da Póvoa de Góis (1974), Comissão de Melhoramentos do Vale do Ceira-Costa de Góis (1979), Comissão de Melhoramentos das Luzendas e Casalinhos (1985), Comissão de Melhoramentos de Casêlhos e Portelas (1994), Associação de Moradores, Naturais, Descendentes e Amigos de Carcavelos (1995), Associação de Melhoramentos das Aigras, Comareira e Cerejeira
(1996), Associação de Melhoramentos de Vale de Godinho (1999), Comissão de Melhoramentos da Pena (2000), Associação Desportiva, Recreativa, Cultural, Juvenil e de Solidariedade Social dos Amigos de Vale de Moreiro e Manjão (2002) e a Associação dos Naturais e Amigos do Liboreiro (2003) que até hoje mantém o estatuto da mais recente Comissão de Melhoramentos do Concelho de Góis. Mais conhecida por ANALIB esta Comissão é a primeira do século XXI a fazer apelo no seu nome a todos os naturais do Liboreiro (independentemente da sua residência) e a todos os seus amigos.    
Estas últimas Comissões formadas no séculos XXI, nada têm a ver com os fluxos migratórios do passado mas sim pela possibilidade de obterem mais facilmente apoios financeiros para agregados populacionais onde faltem ainda estruturas básicas ou culturais para um mínimo de qualidade de vida.
Com as mudanças estruturais autárquicas que se avizinham, para concretização em 2012, com as fusões entre freguesias e o desaparecimento de algumas, contribuindo para um certo centralismo do poder autárquico a nível do Município, estamos em crer que as Comissões de Melhoramentos, titulares da consciência das suas populações, terão um amplo e importante papel no futuro na captação de fluxos financeiros para as suas populações.

(Fontes: “Memórias e Esperanças”, João Nogueira Ramos, 2004; Dez Reis de Gente, Adriano Pacheco, 2007; “sites”, Comissões de Melhoramentos)
                                                                                                                                                 
(*) Farmacêutico

publicado por penedo às 00:44

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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011

Encontro de Poesia Popular na Pena

Encontro de Poesia Popular na Pena

 

 

É na Aldeia do Xisto de Pena, Góis, que dia 10 de Setembro tem lugar mais um Encontro de Poesia Popular,

 

sob o tema "As Condições Climatéricas".

Além da poesia e do convívio, há sempre espaço para a animação. Participe neste momento de convívio, no qual se partilham experiências

 

 e vivências do passado e presente destas terras e destas gentes.

Os Encontros de Poesia Popular têm lugar nas várias Aldeias do Xisto de Góis, e tem como objectivo principal, exortar a população local

 

 e outros à participação e partilha de saberes.


Programa:

15h – Sessão de Abertura. Segue-se o Workshop da Broa Serrana: Peneirar, Amassar, Tender.

Momentos de Poesia com

                                        Adriano Pacheco,

                                        

                                        Clarisse Sanches

                                     

                                        e Eugénia Santa Cruz.


 

Visionamento da curta documental: Coração do Xisto.

Lanche convívio com a broa serrana feita pelos participantes.

18h – Encerramento do IV Encontro de Poesia.

 

 

 

 

Cartaz_Poesia Popular na Pena - 10 Set. 2011 (PDF)

 

Organização

publicado por penedo às 16:40

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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011

ALVARES EM FESTA

 

           BrasãoAlvares                                

   

 

 

Adriano Pacheco

 

Vinham de todos os lugares e lugarejos, por montes caminhos e veredas, carregados com farnéis mais ou menos abastecidos e o seu próprio garrafão, não fosse o vinho faltar. Vinham venerar o seu santo padroeiro, ouvindo a missa solene, escutando os sons da filarmónica e o estourar dos foguetes que tanto incómodo dava! Vinham estrear a blusa de chita, o xaile de merino, os sapatos novos e a camisa branca. Mas vinham tão felizes que não havia pó que lhes caísse em cima, nem brilho que lhes faltasse nos olhos. Era dia de festa e do farnel com cabrito ou borrego assados. Eram assim as festas em Alvares.

 

Hoje, salvaguardando alguns pormenores, tudo é muito é diferente, não sabemos se para melhor. Desta feita tivemos a Filarmónica Arganilense bem afinadinha com muitos jovens, uns tantos conjuntos distribuídos por sábado, domingo e segunda-feira e a visita dos alvarenses que nestas datas costumam vir matar saudades por dois ou três dias e voltam a correr. Que pena não se lembrarem deste pedaço de terra que precisa deles! Mas pronto é o que se pode arranjar face à crise que se impõe por aí. Apesar de tudo não foi nada mau, pode ser que para o ano que vem seja melhor.

 

Com o decorrer dos tempos os hábitos tradicionais foram-se alterando: acabou-se a sopa de grão-de-bico, o arroz picado de fressura, o bucho recheado e consequentemente a rês que dava tanto jeito para se poder cozinhar tudo isto, tal como os maranhos que outros lhe tomaram o gosto e fizeram publicidade. Que saudades! A crise também veio atrapalhar a missão dos mordomos que fizeram um orçamento baixo, mas mesmo assim ainda tiveram de recorrer ao velho leilão e à ronda. É bom que nos vamos habituando às festas feitas à nossa medida, quero dizer, dentro das nossas parcas possibilidades, nada de esbanjamento. Os tempos assim obrigam

 

Era inevitável que para se fazer a festa e a festança, os mordomos tinham de recorrer à imaginação para poderem adaptar o espaço habitual às reais necessidades, improvisando cozinha aqui, churrasqueira ali e muita boa vontade, pese embora o apoio logístico facultado pela Câmara Municipal, já que o “velho palanque foi à vida” uma vez que já não oferecia condições de segurança. Apesar disso, a piscina - sempre grandiosa e colorida – deixava no ar uma sensação de frescura e bem-estar a todos os títulos necessários, pena foi não acautelarem a invasão das águas nalguns quintais circundantes. Situação perfeitamente evitável. Enfim!...

 

De resto, toda a Vila de Alvares rejubilou com os alvarenses que regressam todos os anos em dias de festa. Rejubilou com a vista esplendorosa desta terra bem apetrechada de equipamentos sociais, nomeadamente com o quartel novo dos bombeiros, pólo escolar e iluminação apropriada. Rejubilou com a procissão e os seus santos em andores ornamentados. Rejubilou com a harmonia dos sons da Filarmónica Arganilense.

 

Deste modo a Comissão de Festas – composta por muitos jovens - está de parabéns por ter proporcionado tanto, com tão parcos recursos. Só quem já enfrentou uma situação destas, com tão poucos recursos, saberá quanto custa organizar uma festa anual para bem de todos alvarenses e da carolice de alguns. Mas pronto, a tradição cumpriu-se já não é nada mau.

Que mais se pode exigir nos tempos que atravessamos?

 

 

 

publicado por penedo às 23:30

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Domingo, 17 de Abril de 2011

“A SERRA E A CIDADE” NA CASA DO CONCELHO DE GÓIS

 

Adriano Pacheco

 

 

 


 

A SERRA E A CIDADE -  O TRIÂNGULO DOURADO DO REGIONALISMO

 

Dentro do programa estabelecido para o corrente ano, divulgado pelo Conselho Regional na imprensa local, a Casa do Concelho de Góis levou a efeito no dia dois de Abril, a sessão de lançamento do livro “A Serra e a Cidade”, de autoria da Prof. Dr.ª Maria Beatriz Rocha-Trindade, onde o tema do regionalismo da Beira Serra é tratado e desenvolvido de forma abrangente pelas mãos de quem investigou e estudo o assunto, numa visão singular, própria de quem o distanciamento permitiu alcançar.

 

Numa tarde enevoada, algo cinzenta, pouco propícia ao veraneio, a sessão evoluiu perante boa assistência, atendo a que o livro já tinha sido apresentado noutras Casas Regionais, bem como na Vila de Góis, não sendo por isso propriamente uma novidade. Contudo, a cerimónia não deixou de ter o brilho dos momentos altos da divulgação desta causa, na presença de tão ilustre protagonista no seio dos goienses. Neste cenário tiveram lugar as palavras emocionadas do presidente José Dias Santos, as boas-vindas a todos os presentes e o profundo agradecimento à autora; palavras bem reveladoras desse estado d’alma que se sentia na Casa.

 

A apresentação da obra, já analisada e conhecida do grande público, esteve a cargo do sr. Eng.º João Nogueira Ramos, que começou por se interrogar “sobre a mais valia de mais um livro sobre este tema”; encontrando depois a resposta numa abordagem que classificou de diferente, “num olhar de fora para dentro”, beneficiada pelo distanciamento que permitiu à autora uma análise desapaixonada, “sem o paternalismo e saudosismo” próprios dos beirões ligados às suas aldeias, os quais, de forma parcial, têm vindo a tratar (?)

 

Derivou depois a sua apreciação para a problemática da Regionalização, no sentido de reorganização administrativa do território, dando relevo às consequências que daí podem advir pelo baixo índice populacional, (como um aparte um pouco fora de contexto), já que a apreciação se cingia ao regionalismo como sentimento de apego à terra natal, nas suas mais empenhadas formas de valorização da Beira Serra, com o propósito de avivar a luz dos lugares de pertença, onde gravitam as memórias mais remotas e marcantes da infância. Enfim…

 

Mais à frente, o apresentador da obra, depois de tecer alguns elogios, evocou uma frase do livro que considerou interessante: “Os regionalistas da serra construíram e deram à luz uma forma modelar de iniciativa civil,”(…) abdicando da parte final da frase que diz o seguinte: “sem por isso menosprezar o poder do Estado: não são súbditos ou servos – são parceiros de direito pleno” pag.138. Não querendo evidenciar o nosso espanto, julgamos que esta falha não terá sido por descuido, nem por dificuldades de comunicação (o que também foi patente), mas sim por maneira própria e controversa de ver as coisas. (!)

 

Seguiu-se depois a exposição da Prof. Maria Beatriz da Rocha-Trindade que agradeceu o carinho de todos e as palavras elogiosas dos oradores, enchendo de brilho a sala com a sua enorme simpatia e boa disposição, quando deu a conhecer, com eloquência, os vários recantos por onde passou, e a feliz oportunidade que teve em conhecer a nossa região.

Elucidou depois, todos os pormenores das várias fotos e o simbolismo que elas representam, razão pela qual ali foram inseridas, com a ajuda e sensibilidade de fotógrafo Jorge Barros. Mais à frente fez referência às profissões actualmente desaparecidas, que os beirões vieram a desempenhar na Capital, bem como ao processo migratório que então ocorreu.

 

Se “A Serra e a Cidade” não fosse tão tocante e tão encorajador para os beirões, bastaria a sua idiossincrasia, forma excelente de comunicar e maneira afável de se aproximar das gentes, qualidades próprias de alguém que sabe e gosta de estar entre o povo e não se limita a emitir opinião e a despejar conhecimento.

 

Para terminar falou a Dr.ª Maria de Lurdes Castanheira, digna Presidente da Câmara Municipal de Góis, que deixou palavras de agradecimento à Casa pelo convite, aos diversos representantes das colectividades e o enorme respeito e consideração pela Prof. Dr.ª Maria Beatriz Rocha-Trindade pelo seu belo trabalho de investigação que fez sobre a nossa região. Congratulou-se também por ter assistido a este belo evento cultural.

 

 

publicado por penedo às 23:01

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Sexta-feira, 4 de Março de 2011

2011 - ANO EUROPEU DO VOLUNTARIADO

 Por

 

Adriano Pacheco

 

Voluntário, no sentido corrente do termo, é aquele que se dedica à causa pública sem qualquer remuneração. Reage espontaneamente perante uma situação de emergência onde sente que a sua ajuda pode ser útil ao seu semelhante, ou ao bem colectivo. É um agente do bem comum sempre disponível para ajudar, que contrasta com outras posições de puro egoísmo.

 

Serve esta introdução para lembrar que o Centro Europeu de Voluntariado, sediado em Bruxelas, elegeu o ano de 2011 como o Ano Europeu do Voluntariado, em comemoração de todas as organizações que congregam voluntários, reconhecidas oficialmente, como exemplo dos bombeiros e outras. Hoje, esta organização dá mostras de mais consistente e diligente colaboração, transmitindo às populações maior segurança. Estes jovens que se entregam pelo destemor e pela dádiva, dão bem a ideia do que é estar ao serviço da sociedade.

 

Todavia, outras existem no terreno com menor visibilidade, mas com grande entrega, que se guiam por um altruísmo sem limites e se colocam numa posição nem sempre bem compreendida. Os seus dinamizadores movem-se por um sentimento de apego e amor à terra natal, dão o melhor de si sem desfalecimento e não poucas vezes são confundidos com o gosto pela carolice ou por um exibicionismo descabido. Estamos a falar do Regionalismo onde militam várias colectividades, cujo trabalho desenvolvido nas suas aldeias ainda hoje não foi devidamente quantificado nem reconhecido oficialmente.

 

O Movimento Regionalista, abrange vários milhares de cidadãos beirões, tudo o que faz é por mero voluntarismo e entrega ao próximo, é, no fundo, um movimento de solidariedade que se traduz pela actuação em prol do bem-estar das gentes da sua aldeia. Ainda que dentro do associativismo, como é evidente, não tem qualquer protecção nem reconhecimento. Ora que se saiba, estes regionalistas não são remunerados nem recebem qualquer recompensa e ainda gastam energias e o seu tempo de descanso nestas questões.

 

Não obstante o que acima se diz, ainda não vimos uma alusão pela organização do voluntariado, pequena que fosse, sobre a acção desenvolvida pelo regionalismo, considerando-o ou saudando-o como companheiro de luta, aceitando-o como parte integrante desse voluntariado que este ano se reconhece com inteira justiça. Há situações em que parece que vivemos à margem de toda esta sociedade!

 

 

publicado por penedo às 01:41

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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

POR QUE SE AFASTAM OS JOVENS?

 

 

Por Adriano Pacheco



 

Há já algum tempo fizemos uma abordagem ao tema acima citado, na presunção de que estávamos a tocar num assunto pertinente, cheio de actualidade e de interesse regional. Em boa hora o fizemos porque, sobre o mesmo, o nosso amigo Carlos Arinto dissertou sobre ele, de forma inteligente, mostrando a outra “face da moeda” que não tínhamos descortinado. Enveredou por outra vertente da mesma realidade, que nenhum regionalista “obstinado” será capaz de aceitar, pela simples razão de que a sua mente está “formatada” nas ideias dum tempo duro em que tudo se concentrava na necessidade duma fonte de água potável. - É bom não esquecer que o regionalismo eclodiu em circunstâncias sociais próprias, no início do século XX.

 

Fê-lo com tal discernimento que abriu janelas não imaginadas e calou muitas “verdades feitas” que só emperram a caminhada que já devia ter sido feita, para lá de ter desmistificado as razões onde assentam o nosso repetido “orgulho bacoco”. Numa assentada, justificou a ausência dos nossos jovens “com o facto da sociedade serrana não ser uma sociedade aberta como a que existe nas grandes cidades.” Esta é, na verdade, uma das nossas grandes pechas, Senão vejamos:

 

Nos tempos que decorrem, não é admissível que existam rivalidades históricas entre aldeias, ou vilas, que dificultem a boa convivência e harmonia entre povos. Pois já basta a inquietante desertificação e a serra agreste para semearem a aridez humana, senão ainda o isolamento de cada um no seu “casulo”, que fará dos poucos ainda mais poucos. Pelo contrário, o que devia ser estimulado como veículo de aproximação entre os povos, era o desporto sobre qualquer forma ou modalidade. Tal como tem sido experimentado em torneios de verão nas aldeias à volta dos penedos.

 

O texto a que temos vindo a reportar-nos (publicado no Jornal de Arganil de 18.11.2010) é muito extenso e traz à tona d’água questões importantes que mereciam alguma reflexão, como as que dizem respeito à ausência de apego à terra que algum dos seus familiares o viu nascer como a seguir nos referimos:

 

“Os jovens hoje sentem alguma ‘vergonha e acabrunhamento’ dizerem que são descendentes de qualquer aldeia perdida lá na serra, porque não possuem adjectivos para defenderem a realidade que desconhecem. Sabem só que é solidária e de abandono. E caem na banalidade do ‘lugar bom para descansarem”.

 

Esta situação incómoda, muito sentido pelos jovens, já a abordámos algumas vezes por não termos referências, nem identidade que nos projectem ao nível nacional. Quando alguém nos pergunta donde somos, aquilo que temos “à mão” mais conhecido é a Serra da Lousã. Ora a nossa melhor e mais vistosa referência é os Penedos de Góis, mas essa está calada sem qualquer visibilidade a nível nacional, como monumento imponente da natureza que se ergue; outras regiões bem gostariam de tê-la por perto!

 

Estas são apenas algumas questões das muitas que foram apontadas no referido artigo e que ainda não vimos na imprensa, qualquer gesto ou achega, sobre este pertinente assunto. Assim sendo, chego à conclusão que devemos andar muito distraídos, ou então andamos envolvidos em pequenas tricas, ou… meras futilidades, para ocupar o tempo. O que é uma grande pena!...

 

publicado por penedo às 18:40

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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

O TEATRO EM PORTUGAL - O Teatro de Amadores -

 

 

Por Adriano Pacheco

 

Sob este mesmo título, foi feita uma exposição no “I Congresso Sobre o Teatro de Amadores Em Portugal”, em Viana do Castelo, pelas mãos do nosso conterrâneo Dr. António Gomes Marques de Chã de Alvares, onde aborda com profundidade e conhecimento de causa esta temática. Trata-se duma exposição extensa de 12 páginas, desenvolvida em oito vastos capítulos.

 

O último capítulo foi reservado especificamente ao Teatro de Amadores, no qual o nosso conterrâneo exprime o seguinte: “Não posso finalizar esta minha comunicação sem falar de algo que me é muito caro, servindo-me de partes do que já, em tempos, escrevi sobre esta matéria. Falar de Teatro de Amadores (e não de Teatro Amador), ou seja, dos que por amor fazem teatro, pode remeter para a área da animação sociocultural e/ou para a da divulgação cultural descentralizada. Tempo houve em que o Teatro de Amadores tinha o respeito do País, dos meios intelectuais, do público em geral e dos meios de comunicação social. Depois do 25 de Abril conquistou mesmo o respeito do poder político, de quem obteve ajudas financeiras e alguns meios técnicos”.

Sentimos imenso orgulho em alguém, do nosso meio, que se debruça sobre este assunto cultural, com conhecimento de causa e desce à sua profundidade, denunciando as grandes dificuldades que estes grupos sentem para se poderem apresentar em público condignamente, roubando ao seu descanso todo o tempo necessário à preparação das peças. Pouca gente terá noção do entusiasmo e da entrega destes jovens à causa, tal como nos relata o nosso concidadão:

 

[…] “Na era cavaquista, cujos malefícios para o país a História há-de um dia registar, os apoios governamentais já não foram os mesmos, mas, verdade seja dita, a culpa não foi apenas do poder político. A estrutura montada, com as Associações Regionais, poderia resistir. No entanto, alguns dos grupos mais fortes e mais implantados tiveram a ilusão da profissionalização, a comunicação, televisão e imprensa escrita e falada, ajudou e os grupos foram ficando cada vez mais isolados. Hoje continuam a existir muitos grupos de teatro de amadores, mas não existe o movimento do teatro de amadores. Algumas Câmaras Municipais, não em todos os concelhos onde os grupos existem, vão apoiando e a imaginação dos seus elementos… faz o resto”.

 

Mais à frente o Dr. Gomes Marques lembra: “O historiador José Mattoso, numa entrevista à revista “Ler”, de Setembro/2010 que diz em determinado momento: Uma das coisas curiosas e surpreendentes foi descobrir que aos fins-de-semana é frequente encontrar […] pessoas que formam grupos para fazerem percursos pedestres ou que criam pequenos grupos de teatro. […] Eu interpreto isso como uma geração espontânea de sinais positivos, cujo resultado global é impossível de imaginar. Creio que as transformações sociais se dão por agregação de pequenos fenómenos. […] Mais à frente acrescenta José Mattoso: são esses pequenos grupos que têm uma atitude positiva diante do futuro e do mundo. Naturalmente é nisso que ponho a minha esperança cheia de interrogações. É esperança, não é expectativa. Era isso que eu gostava que se fortalecesse”.

“Compete-nos a nós ajudar a concretizar esta esperança do historiador. Organizar uma nova associação do teatro de amadores é dar também um importante contributo para a necessária alteração profunda de que nos fala José Mattoso.

Agora há que colher lições com a história recente do teatro de amadores e torná-lo de novo num movimento forte. O INATEL poderia ser, no momento, a organização que poderia dar um dos maiores impulsos para que as potencialidades que existem se transformassem e o desejado movimento ressurgisse.

Quantos dramas se vivem no seio das famílias e das comunidades que se poderiam evitar se aos jovens fossem dadas condições para desenvolverem uma actividade tão enriquecedora como é a do teatro de amadores?”

Esta é uma pequeníssima parte da grande abordagem que o nosso conterrâneo faz ao mundo do teatro de amadores, que nos transmite uma ideia bem clara desta nobre arte, através da qual os nossos jovens muito nos podem dar, quando estimulados para tal missão. Missão essa que teremos na Casa do Concelho de Góis, no próximo dia 20 do corrente mês.

 

 

publicado por penedo às 23:35

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Terça-feira, 9 de Novembro de 2010

POR QUE SE AFASTAM OS JOVENS

 

 

 

Por Adriano Pacheco

 

Esta é uma questão tão estranha quanto premente, que nos obriga a enquadrar e a meditar sobre as motivações actuais dos jovens que os leva a afastarem-se desta paixão que nos persegue desde a meninice e a eles passa ao lado com a visível indiferença. Sendo o regionalismo um sentimento muito próximo do amor à Pátria, ou algo que nos coloca numa situação de enorme apego ao torrão natal, isto só nos perturba o entendimento do outro lado da questão e nos afasta do centro das novas realidades que nos batem à porta sem darmos por isso. Pois é… os tempos mudam!

 

Todos nós nascemos num lugar do mundo, descendemos de alguém que nos transmitiu uma carga genética e um legado cultural que, mais tarde ou mais cedo, nos desperta a necessidade de sabermos quem somos, donde viemos e para onde vamos. No fundo, queremos conhecer as nossas raízes; é próprio da condição humana. Mais próximo ou mais distante, todos nos encontramos inexoravelmente ligados a uma família e a um lugar seja ele qual for. Contudo, para os jovens, parece que o País, a região, a aldeia ou a eira, perderam a força aglutinadora dos laços afectivos, ou mais propriamente, o fulgor do lugar de pertença deixou de brilhar. Como o tempo muda a face das coisas?!

 

Pelo comportamento dos jovens (algo novo na nossa sociedade), somos obrigados a pensar que a origem de cada um deixou de pesar, não na identidade, mas na consciência dela. Não na cidadania, mas no seu arreigamento; já que a mobilidade e a livre circulação trouxeram, aos jovens de hoje, uma nova dimensão do mundo e das comunidades, bem afastada da ideia central da aldeia circunscrita ao seu torrão natal serrano. Ao jovem de hoje, a sua origem não o aprisiona nem o fideliza já que o mundo é tão global que até as novas tecnologias da comunicação vieram facilitar, tornando-os mais próximos e mais comuns.

 

Com toda esta capacidade de manobra num espaço tão abrangente, o jovem não se revê no regionalismo, nem nas suas virtudes e até pode entendê-lo como uma “quinta” para refúgio de velhos saudosistas, o que ainda é mais grave e perigoso. Na sequência deste simples raciocínio, cabe aos mais velhos dar um colorido diferente deste conceito e tentar perceber, da parte dos jovens, quais são as barreiras, ou dificuldades que os leva a rejeitarem esta ligação que nos parece pura e natural.

 

Sobram ainda algumas pontas soltas que deixam pistas de algo que nos pode estar a escapar, quando nos deparamos com os nossos jovens a pulverizarem as praias fluviais no Verão, a preencherem os recintos das festas das aldeias, ou desenvolvendo iniciativas ligadas à ecologia em defesa do meio ambiente.

 

Por isso a pergunta impõe-se com maior energia. Qual será a melhor forma de pegar nesta temática de maneira a estimular os nossos jovens para olharem o regionalismo como uma causa sua e verdadeira? Bem sabemos que esta demanda não será fácil nem de resultados imediatos, porém, o escalão etário dos quarentões será o alvo mais apetecível para podermos chegar aos jovens mais irreverentes e de ideias mais arrojadas.

 

 

publicado por penedo às 15:54

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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

GUARDAR O PASSADO, OLHANDO O FUTURO

 

Por Adriano Pacheco

 

Foi sobre este tema que se desenvolveu o caloroso debate, focado no património arqueológico do Concelho de Góis que o Concelho Regional proporcionou no dia 16 do corrente mês, na Casa concelhia, sob o olhar atento duma assistência, de sala cheia, que se tem vindo a interessar vivamente pelas iniciativas levadas a cabo por este Orgão Regional, cujo esforço vai no sentido de deixar a marca da sua maneira própria de olhar e sentir o regionalismo, tal como referiu o seu presidente Dr. Luís Martins que moderou o debate.

 

Esta sessão cultural honrou-nos particularmente, não apenas pelo interesse acrescido no desejo da descoberta do património arqueológico do Concelho de Góis, mas também pelo enriquecimento, ao pormenor, dos diversos pólos de interesse espalhados pelo território, onde as pedras falam de nós e, através delas, sentimos a presença energética dos nossos antepassados e das suas vivências como fonte abundante do Saber que devemos preservar e transmitir aos vindouros como um legado. Nada mais de verdadeiro existe neste Concelho que os vestígios de antiquíssima presença humana: quer eles estejam na Pedra Letreira, Riscada e nos Penedos de Góis; quer eles permaneçam na estatua orante da Igreja Matriz, no antigo Hospital de Góis ou mesmo na Ponte Real.

 

Na apresentação da arqueóloga Dr.ª Ana Sá que deu uma panorâmica geral do património concelhio, através da projecção de elucidativos acetatos que dizem bem do trabalho aturado que tem sido feito “ainda que de pequena visibilidade”, pretendeu-se elucidar que, “dar a conhecer através do passado, favorece melhor o entendimento dos lugares de pertença no futuro, onde podem permanecer ecos da nossa história. Sobre esta exposição foram várias as questões levantadas, denotando-se uma grande preocupação dos presentes pela preservação da Pedra Letreira, lugar de memória que a todos pertence, tal como a monumental erupção granítica dos chamados Penedos de Góis.

 

Seguiu-se depois a elucidativa exposição do Prof. João Simões, goiense de gema, que numa pormenorizada explicação a todos deu a conhecer onde se situavam as antigas fronteiras da Vila de Góis e onde se encontram as relíquias (brasão) do Concelho, bem como os vários efeitos rugosos que a Meseta Ibérica sofreu. Para lá dos achados que encontrou num vetusto pedregulho que fazem os seus encantos.

Por último falou a arqueóloga Dr.ª Maria Helena Moura, técnica do IPA e do IGESPAR na qualidade de profunda conhecedora da região, transmitindo a necessidade que há em preservar este rico e impar património que dá uma identidade própria a esta região serrana, cujo utilidade e conhecimento não se restringem apenas à própria região.

 

Na qualidade de presidente da Câmara e em representação da vereação, a Dr.ª Maria de Lurdes Castanheira manifestou a sua gratidão por ter sido convidada para esta sessão, donde, disse sair mais enriquecida e orgulhosa deste Concelho e das suas gentes, bem como mais disponível para ajudar a aprofundar esta área da cultura. Agradeceu também à Casa e ao Conselho Regional por este feliz evento.

Fechou a sessão o Dr. Luís Martins, agradecendo a comparência de toda a assistência.

publicado por penedo às 09:25

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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

A Serra e a Cidade


Recebemos em nossa casa o livro ''A Serra e a Cidade" que aborda, em toda a sua dimensão, o nosso regionalismo, como até hoje ainda não tínhamos visto assim condensado e agrupado em todas as vertentes físicas e humanas. Trata-se duma obra ricamente documentada e sabiamente ao desenvolvimento do tema, com a acuidade e esmero próprios de quem admira, preza e ausculta o pulsar da gente beirã.

Não sendo de origem beirã, a autora da obra, Prof." Maria Beatriz Rocha-Trindade, consegue, neste trabalho, desbravar veredas e ir ao âmago da nossa alma com toda a naturalidade, tornando visível a força do ideal que nos move, que nos motiva e empolga, revelando-nos através de pequenos e simbólicos marcos, como se de grandes obras se tratasse, dum povo de grande ânimo e de sentimentos arreigados. Nas últimas décadas, ninguém foi tão longe e aprofundou tanto -as nossas raízes, nem avaliou com tanta verdade este nosso regionalismo que se ergue do fundo da alma envolto de sentimentos. Quem mais sentiu e esclareceu esta nossa rara particularidade?

Estamos a falar dum livro de grande qualidade, bem organizado, onde se vê reflectido todo o espaço da Beira-Serra (Concelhos de Arganil, Góis e Pampilhosa da Serra), região onde desabrochou o movimento e o conceito do Regionalismo "que nada tem a ver com a criação de Regiões Administrativas, ou com a organização dos poderes do Estado [ ... ]. É um sentimento que resulta da iniciativa civil. Dito de outro modo: o Regionalismo não depende de Governos, de decisões legislativas ou referendos; depende apenas dos sentimentos das pessoas que o sentem, o defendem e o praticam". Assim se lê nas pags. 67 a 68.
Nós, que o vivemos por dentro, não transmitiríamos melhor, nem com tanta autenticidade este sentimento que nos acompanha e nos faz sentir próximos desta verdade que é só nossa, mas que a Prof. Maria Beatriz Rocha-Trindade explana deste modo: "Diz-se que os portugueses inventaram a palavra saudade para traduzirem esse sentimento de ligação nostálgica àquilo e àqueles que ficaram longe, mas não esquecidos."

"Muitos e variados podem ser os objectos que lhes servem como peças evocadoras daquelas origens: a assinatura do jornal regional ou local [ ... ] o quadro mural com fotografias da paisagem [ ... ] da ponte ou da casa são utilizados como decoração. Todos estes objectos ou menções especiais são memórias de saudade, são afirmações duma pertença bem viva e presente de quem quer reclamar as suas próprias origens. Encontramo-las nas casas dos residentes em Lisboa (muito mais do que nas residências da Serra, pois que não há saudade sem ausência).
[ ... ] São, talvez, gritos de amor à terra onde se nasceu." Aqui está parte daquilo que se pode ler na pag.113.

Por entre os vários títulos e sub-títulos que o livro contém, alguns deles bem sugestivos e interessantes tais como: "o associativismo regionalista": "os eventos regionais"; "pontes de solidariedade"; "construção da notoriedade"; fomos encontrar com todo espanto o que procurávamos: "o futuro do regionalismo: Por este caminho quisemos seguir em busca de eventuais pontos de vista convergentes com os da própria autora. Tantos foram os alvitres, as sugestões e os apelos que temos deixado escarrapachados neste jornal para que se encontre um novo caminho que nos conduza a outro tipo de relacionamento com o Poder Local e modo de actuar dentro do próprio regionalismo, até que encontrámos o seguinte:

"O Movimento Regionalista será, indubitavelmente, um dos interlocutores privilegiados da estrutura do governo regional a criar' eventualmente, a par das autarquias envolvidas. Beneficiando do empenhamento dos seus membros, do seu conhecimento das realidades e da representatividade dos seus membros que lhes é unanimemente reconhecida [ ... ] Significa isto que o alvo genérico e os objectivos do Movimento Regionalista deverão transferir-se do nível dos interesses locais e da dimensão algo restrita destes, pag.133. [ ... ] Os Regionalistas da Serra construíram e deram à luz uma forma modelar de iniciativa da sociedade civil, sem por isso menosprezar o poder do Estado: não são súbditos ou servos - são parceiros de direito pleno pag.138."
Com este estudo e desenvolvimento, o Poder Local da região não pode ficar indiferente, nem as colectividades poderão ficar alheias.
Adriano Pacheco

publicado por penedo às 23:12

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Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

Casa do Concelho de Góis -O Texto e o Contexto


O Conselho Regional é um órgão social da Casa do Concelho de Góis que, ao longo da sua existência, tem sido posto em causa a utilidade da sua função, não como órgão consultivo como é evidente, mas como incongruente a sua alargada função de mediador e dinamizador de eventos culturais, no campo do regionalismo, imiscuindo-se de certo modo nas tarefas supostamente da Direcção. Este equívoco rebuscado faz parte dum velho entendimento.
- Este ponto de vista que até pode ser pertinente dentro de boa fé, já foi alvo de acesa controvérsia noutros tempos, mas a tradição e os estatutos falam por si sobre a função que está lá bem escarrapachada; seja ou não anacrónica, absurda ou lá o que quiserem. Acresce ainda que à falta doutra prova mais concludente, estão os eventos realizados nas come-morações do aniversário dos oitenta anos de regionalismo, as palestras de âmbito regional recentemente levadas a cabo onde estiveram representados os órgãos autárquicos e outras. que estão a caminho.

A acção desenvolvida por este órgão, dá-lhe a força dum motor dinamizador que imprime uma energia tal, que coloca a colectividade num ritmo que, nos tempos que decorrem, pode ser considerado como um movimento de novos tempos, ou de tempos rejuvenescidos, se não es- quecermos que ainda há bem pouco tempo era considerada como uma instituição envelhecida, apática e sem qualquer iniciativa digna desse nome.

Será bom não esquecer que, as pessoas que estão à frente dos destinos desta Casa, carregam este "fardo" há muitos anos por manifesta ausência de alguém que queira assumir este cargo que, em termos patrimoniais e simbólicos, representa uma fatia enorme dos valores históri- cos do Concelho de Góis. A generosidade, dedicação, entrega e a carolice passaram a ser valores raros, mas ainda se encontram patentes nesta Casa. Porém, tudo tem os seus limites e os tempos que decorrem são de grande exigência e não se compadecem com uma gestão rotineira cheia de boa-vontade. É preciso muito mais, acima de tudo, é preciso que os goienses se interessem por esta instituição.

É certo que para incutir um novo arejamento e calcorrear os caminhos da inovação está, em pleno funcionamento, o Conselho Regional que não se tem poupado a esforços para trilhar um caminho que nada mais é do que um processo de renovação e aprendizagem tão necessário à abertura de espírito. As tradições são importantes para nos falarem das nossas origens, mas "navegar é preciso"para que se possa enveredar, por outras vias do conhecimento, arejando mentalidades e procedimentos. É preciso que todos saibamos bem o que queremos desta instituição e não se enverede pelo "deixa andar" até que tudo caia de maduro.

Todos sabemos quão importante é dispormos deste espaço onde podemos encontrar-nos e discutirmos os nossos problemas, tal como aconteceu na última palestra com a Sr.ª Presidente da Câmara. Palestra que nos trouxe à evidência dificuldades de vária ordem, próprias dum território disperso e montanhoso como é o nosso Concelho, cuja solução não se encontra numa só directiva. Cada aldeia tem a sua especificidade própria.
Na dificuldade de acesso às redes de telecomunicações, encontrámos um dominador comum a todas as aldeias do Concelho - caso raro -, o qual poderá ter uma solução técnica abrangente, se o assunto for equacionado pela Câmara deforma a ser estudado e negociado globalmente com a entidade competente. Trata-se de um problema cuja solução passa por um novo enquadramento técnico.

Estamos a falar de problemas reais e prementes que afectam as populações que se sentem isoladas, para os quais será necessário não só boa vontade, mas também alguma capacidade técnica que envolva meios. Se assim forem encarados estamos certos que está aberto um novo ciclo de relacionamento entre o Movimento Regionalistas e a Câmara M. de Góis que nos apraz registar.

Entretanto, é necessário que "as colectividades se actualizem enveredando por um outro modelo de actuação" nos seus procedimentos, caminhando abertamente para um "regionalismo repensado, segundo palavras da Sr.ª Presidente de Câmara. Palavras que exprimiam vontade de encarar este movimento como um parceiro social virado para a entre- ajuda na vertente cultural.
Adriano Pacheco

publicado por penedo às 01:14

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Sexta-feira, 5 de Março de 2010

O DIA INTERNACIONAL DA MULHER- UM LONGO CAMINHO -

 

Por Adriano Pacheco

 

Como vai sendo hábito, comemora-se o dia internacional da mulher a oito do corrente mês, dia em que se homenageia a mulher de todo o mundo, de todas as condições sociais, seja ela mãe, filha ou esposa. Nesta efeméride cabe toda a mulher, seja qual for a sua dimensão: mãe de idade madura onde o sentimento da maternidade é a sua grande força, ou futura mãe, jovem que carrega no seu ventre um filho que sente crescer com toda a protecção maternal. Assim como cabe e se destaca o símbolo da fecundidade que, como todos sabemos, nos humanos, pertence à mulher. Grande responsabilidade a sua!

 

Derivando para outro plano do tema e fazendo um pouco de história, verificamos com agrado, a sua enorme evolução dentro da sociedade nos últimos tempos. Ainda há bem poucas décadas a mulher, no nosso País, não podia ocupar certos cargos públicos, nem sequer podia exercer o direito de cidadania mais básico: votar. Hoje isso está largamente ultrapassado o que denota uma grande evolução na sociedade. Evolução esta que transborda, em muito, o âmbito restrito do ser humano, ela define e exprime, de forma clara, o estádio da sociedade que vamos construindo. Já ultrapassámos a fase do nevoeiro cinzento.

 

A sociedade amorfa e tacanha que bem conhecermos, nunca poderia evoluir enquanto não fosse reconhecido à mulher, direitos que só ao homem eram conferidos. Ora como todos sabemos, a humanidade é constituída pelo homem e pela mulher. Sendo assim, o homem nunca poderia ser inteiramente livre, mantendo a mulher arredada desses mesmos direitos, deixando-a subjugada no seu cantinho. Só ambos livres, um ao lado um do outro, poderão construir uma sociedade livre e mais justa. Tudo isto é do conhecimento geral, todavia ainda nos vamos confrontando com situações confrangedoras.

 

A Democracia só atingirá a sua plenitude quando reconhecer a todos os cidadãos iguais direitos. Isto, na verdade, está consagrado na lei, porém, ainda falta percorrer um longo caminho para que os seus ditames passem à prática efectiva. Basta olhar para a situação do desemprego que estamos a viver o qual não atinge, de igual modo, os dois sexos, nem muito menos todos os estratos sociais com iguais danos. Isto mostra bem a sociedade desequilibrada que temos.

 

Pese embora toda esta evolução, torna-se inevitável questionar a democracia que temos, sempre que abordamos este tema. E que democracia temos nós? Temos apenas e só uma democracia parlamentar representativa, com toda a ineficácia que bem sabemos. Para se atingir uma democracia em toda a extensão da palavra, ainda faltam muitos passos em frente. Consola-nos a ideia de que vamos dando um passo de cada vez, apesar de nem sempre ser no melhor sentido.

 

Voltando ao tema do dia internacional da mulher, será bom que todos tenhamos consciência de que é muito importante e positivo, para a sociedade, a evolução da mulher e isso não se mede apenas pelo trabalho que vem desempenhando. Mede-se também pelo contributo da sua inteligência emocional que pode dar, o que é muito importante.

 

 

publicado por penedo às 01:01

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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

A Casa Goiense e o seu Desígnio


Ainda estão bem presentes os ecos efusivos da numerosa assistência que esteve presente no almoço do quinquagésimo quinto aniversário da Casa do Concelho de Góis, a qual acolheu no seu seio, para cima de cem pessoas, unidas num desejo comum de celebrar esta efeméride, carregada de simbolismo e de calor humano, que unifica o povo da Beira Serra e a todos contagiou.

Sendo assim e não obstante os sinais preocupantes de falta de rejuvenescimento dos seus dirigentes, como se pode explicar esta presença maciça de quem persiste
em reavivar a alma do povo beirão e do sentimento regionalista que não se fica nem se esgota na festinha da sua aldeia? Como explicar este reacender da chama regionalista goiense quando muitas vozes já entoaram e lhe endereçaram os pêsames e decretaram o prematuro luto? Também nós temos dúvidas, muitas dúvidas, mas caminho é persistir, persistir.

Todos seremos unânimes em reconhecer que há um grande défice de sangue novo no regionalismo, movimento que vive de entrega, empenhamento e sobretudo da paixão que à todos nos toca e nos faz mexer. Do mesmo modo, reconhecerão que, os jovens não aderindo a esta causa, o regionalismo vai definhando até que por fim morrerá em morte lenta, a curto ou médio prazo. Esta corrente de opinião é consensual e tem já umas décadas de existência, os sinais mais superficiais apontam para tal conclusão sem qualquer retrocesso. Contudo"navegar é preciso".

Importa aqui lembrar algumas causas que nos conduziram a este estado de coisas, não esquecendo a culpa que cabe a cada um dos pais e dos avós, por não se terem feito acompanhar dos seus filhos nas festas regionais, deixando que as actuais e imensas solicitações dos jovens tomassem conta das suas reais potencialidades. Para nós
é ponto assente que se trata duma batalha perdida e sem ' qualquer possibilidade de recuperação. É tempo agora de se encontrarem caminhos desta era, novas saídas do
mesmo templo.

Neste momento, os sócios têm de pensar na colaboração que podem dar aos actuais corpos gerentes que já levam muitos anos de entrega à causa e ninguém se chega à frente para ajudar à renovação de quadros com gente madura, disponível mas não gasta, criar nova atitude sem desvirtuar a identidade que unifica e' areja ideias sem
descolorir as cores vivas e o empenhamento. Em suma: começar a trilhar um novo caminho. A Casa do Concelho de Góis, para lá de congregar ideias e sentimentos,
é também a casa mãe que a todos acolhe num espaço próprio, físico e simbólico que importa preservar.

ão somos cavaleiros dos fulgentes velhos tempos, mas vivemos intensamente esta fase de sobrevivência em que todos temos de dar um pouco mais de nós próprios para que esta causa viva. A Casa não é um santuário fechado a sete chaves, nem uma masmorra, ela está aberta a todos os regionalistas, nomeadamente aos goienses. Se um almoço aniversariante foi capaz de reunir à volta de cem pessoas, acreditamos que o próximo plenário do Conselho Regional, a realizar o dia 20 de Fevereiro, seja motivo suficientemente atractivo para que os goienses se interessem mais um pouco pelos problemas da sua aldeia.
Assim o esperamos.

 

Adriano Pacheco

 

 

publicado por penedo às 19:32

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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

A História do Povo Serrano


Como todos nós sabemos, a História de Portugal foi-nos dada a conhecer segundo a visão e análise dos grandes feitos, homens e momentos que marcaram o rumo do País, eventos e suas implicações no avanço tecnológico. Resumindo: factos - e homens notáveis preponderantes no trajecto da humanidade. A ciência que estuda, cataloga estas alterações e movimentações e daí retira sínteses preciosas é muito antiga, tem dado grandes e prestimosos contributos à humanidade ao longo dos séculos. Mas sempre numa visão elitista. Onde está o "nobre povo"?
Contudo, os historiadores, homens que puseram uma vida inteira ao serviço desta ciência, analisando e registando factos relevantes na já longa caminhada do ser humano, nunca se' detiveram, nem deram relevo, àquela massa humana que se chama povo (estrato social). Nunca o povo pesou nem foi evidenciado na edificação de oito ou nove séculos de história, do Portugal que chegou até nós. O que não deixa de ser espantoso, porque se trata do povo que canta e chora, do que sofre e ri, daquele que sente as agruras do dia-a-dia para pagar os seus impostos.
Aquilo que lemos nos vários compêndios é a história das elites, escrita por elites, ainda que alguns poucos etnógrafos, do século passado, tenham estudado o fenómeno das migrações com detalhes muito interessantes da época, não esquecendo também as obras deixadas pelos escritores Alves Redol, Soeiro Pereira Gomes, Fernando Namora e outros ...
Estas generalizações, também se podem aplicar à nossa realidade serrana; com maior ou menor justeza. O fenómeno do regionalismo é algo muito nosso que alastra e se detém nas aldeias, bem como nos migrantes delas oriundos, cuja visibilidade se deve, em grande parte, ao esforço da imprensa regional que tem proporcionado espaço ás colectividades para se fazerem ouvir. Porém, isto nunca foi visto, nem faz parte dos compêndios da história contemporânea elitista e já lá vão umas boas décadas que o movimento se tomou actuante.
Nos tempos que decorrem, o peso da cultura (da nossa cultura) está na sua visibilidade, na ocupação do espaço e na marca do tempo, matéria-prima não nos falta. Se as colectividades hoje não forem capazes de tomarem visível e notória a sua presença, com um registo da sua actividade ao longo dos seus anos de existência, qualquer dia não só deixarão de existir, como ainda se perderá toda a sua entusiástica actuação, porque depois ela será vertida segundo o ângulo dos diversos entendimentos da época.
Ocorre-me agora, como seria importante as colectividades deixarem, para memória futura, o registo daquilo que foi, em várias décadas passadas, a fraca alavanca do progresso - mas única - que existiu na nossa região, tal como já o fizeram a Comissão de Melhoramentos de Alvares e recentemente a Sociedade de Melhoramentos de Roda Cimeira e procedessem à entrega de exemplares na Biblioteca Municipal. Assim, estariam reunidas as condições para um dia a Câmara Municipal de Góis mandar proceder ao estudo deste fenómeno beirão. A partir deste acto, outros se seguiriam e talvez assim a
história do povo passasse ao prelo.


Adriano Pacheco
O Varzeense, 15/12/2009

publicado por penedo às 19:33

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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Casa do Concelho de Góis e o seu 55.º Aniversário

Casa do Concelho de Góis - Homenagem a José Matos Cruz no 55.º Aniversário


A Casa do Concelho de Góis comemorou os 55 anos de existência com um almoço de confraternização na sua sede, após celebração de missa por alma dos sócios falecidos.
Antes ainda de se dar inicio ao almoço, foi descerrada uma fotografia de José Matos Cruz, anterior presidente da direcção, numa cerimónia em que usou da palavra o presidente da direcção, José Dias Santos, que sublinhou a actuação que teve naquela casa, bem como na Comissão de Lisboa de Propaganda e Melhoramentos em Vila Nova do Ceira. Enalteceu a sua dedicação à causa regionalista e o esforço que desenvolveu nas instalações da casa, ampliando-as e melhorando-as consideravelmente.
Seguiu-se o almoço numa sala completamente cheia com mais de uma centena de pessoas, entre as quais a presidente da Câmara Municipal de Góis, presidente da Assembleia Municipal, presidentes de algumas Juntas de Freguesia e das Casas da Comarca de Arganil e do concelho de Pampilhosa da Serra.
Sob a presidência de Américo Simões, em representação do dr. Carlos Poiares, presidente de Assembleia Geral da Casa, que não teve possibilidade de estar presente, faziam parte da mesa de honra a presidente da Câmara Municipal de Góis, drª Maria de Lurdes Castanheira; o presidente da Assembleia Municipal, dr. José Carvalho; o sócio n.º 1, Gualter de Campos Nogueira; o presidente do Conselho Regional, dr. Luís Mateus; António Lopes Machado, presidente do conselho fiscal; e José Dias Santos, presidente da direcção.
O presidente de direcção abriu a série de brindes, saudando os presentes e agradecendo-lhes a sua vinda, distinguindo naturalmente, a sr.ª presidente da Câmara e restantes autarcas, bem como o padre Robson que celebrou a missa por alma dos sócios falecidos. Recordou como obra da Casa, a construção do edifício_em que funcionou o Colégio de Góis, e que para isso, contribuiu o Comendador Augusto Rodrigues, que também custeou os primeiros meses de renda daquela casa. Lamentou que nem todas as Juntas de Freguesia convidadas para aquele almoço estivessem presentes, sublinhando que é seu desejo continuar a manter um bom relacionamento com a presidência da Câmara de Góis. Disse que tem sido boa a cooperação de algumas colectividades ali filiadas e que gostaria de rejuvenescer a direcção na próxima assembleia-geral, em que serão eleitos os novos corpos directivos. Concluindo por afirmar que aquela Casa está sempre à disposição de todos os goienses. Manifestou ainda a sua satisfação em ver ali o sócio n.º 1, Gualter de Campos Nogueira, que deu muito de si aquela Casa durante os tempos em que foi dirigente.
Seguiu-se o dr. Luís Martins, recordando a sua passagem pelo Conselho Regional, a que preside, apresentando três grandes desafios que devem ser as linhas condutoras daquele Conselho e da própria Casa em si: o papel da Casa no movimento regionalista, devendo ser considerada parceiro social junto dos órgãos autárquicos e das Comissões de Melhoramentos para os assuntos de carácter geral no concelho; a missão de divulgar Góis nas suas diversas vertentes e cativar a juventude para o regionalismo e para a Casa.
"Já mostrámos que sozinhos não somos capazes de vencer este desafio, pelo que precisamos da vossa ajuda, dos órgãos autárquicos, das Comissões, das associações existentes do nosso concelho, quem sabe das próprias escolas, mas precisamos rapidamente de encontrar este caminho, para pudermos em conjunto, passo a passo, começar a construir este edifício", sublinhou.
António Lopes Machado, presidente do Conselho Fiscal manifestou a sua satisfação por ver aquela casa cheia, bem reveladora do dinamismo que o regionalismo goiense continua a oferecer.

Recordou homens que ali conheceu, que fizeram a história daquela Casa e do Regionalista goiense, como o Dr. José Poiares; Frederico Nogueira de Carvalho; o Fernando Carneiro, filhos e genro de dois membros da Comissão organizadora da fundação da Casa da Comarca de Arganil que tanto se empenhou na construção do Colégio de Góis, e do Prof. Baeta Neves, que presidiu ao Conselho Regional e a todos encantava com as suas magnificas "lições" durante as reuniões do Conselho.
E quem a tudo isso assistiu e participou foi o Gualter de Campos Nogueira, um patriarca do regionalismo goiense, hoje, sócio n.º 1 da Casa, que tínhamos o prazer do ter ali e gostávamos de continuar a ter em futuros encontros.
E a terminar teve ainda palavras de apreço para com a direcção da Casa e autarcas de Góis que marcaram significativa presença naquela festa.
A Dr.ª Maria de Lurdes Castanheira associou-se àquela festa regionalista com palavras simpáticas de quem deseja colaborar e continuar a participar nestes encontros. Agradeceu o convite e prometeu voltar em ocasiões idênticas. Associou-se à homenagem a José Matos Cruz e apontou o caminho que está disposta a seguir à frente do município goiense.
José Carvalho, presidente da Assembleia Municipal, que não estava em boas condições de saúde recordou algumas passagens por aquela Casa, que passou por importantes obras de ampliação no tempo da direcção de José Matos Cruz. Porque sempre sentiu grande simpatia pela colectividade e pelas colectividades regionalistas, acompanhando com muito interesse a sua actuação.
Encerrou Américo Simões que recordou ª passagem por aquela Casa de grandes nomes do regionalismo goiense, distinguindo as magníficas reuniões do Conselho Regional, presidido pelo Prof. Baeta Neves. Temos que continuar a trazer as colectividades regionalistas para esta Casa, sublinhou, desejando a todos umas Boas Festas de Natal e Ano Novo Próspero, salientando a presença da presidente da Câmara de Góis nesta festa, que foi uma grande festa regionalista dos goienses em Lisboa.
E a festa continuou toda a tarde, agora com uma sessão cultural, com a apresentação de uma monografia sobre Cortes de Alvares, um livro interessante do dr. Samuel Mateus, voltando o Eng.º João Coelho a falar sobre o "Rasto dos Barrões" de Adriano Pacheco.
António Lopes Machado
in Jornal de Arganil, 17/12/2009

publicado por penedo às 10:22

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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

O Rasto dos Barrões

Adriano Pacheco lançou mais um livro

 
"O Rasto dos Barrões" é o mais recente livro editado pelo escritor goiense Adriano Pacheco. A sessão de apresentação da obra decorreu no passado dia 9 de Maio, no auditório da Associação de Desenvolvimento Integrado da Beira Serra (ADIBER), numa cerimónia presidida pela Dr.ª Maria de Lurdes Castanheira, que contou com a presença de inúmeras pessoas e com a representação de algumas instituições locais.
A iniciar a cerimónia, Maria de Lurdes Castanheira, em representação da ADIBER, depois de dar as boas-vindas a todos os presentes, leu uma mensagem de Armando Gualter Nogueira que referia a sua impossibilidade de estar presente, enviando, no entanto, uma saudação ao autor e felicitando a ADIBER por mais esta edição literária.
Em seguida, a oradora leu ainda uma carta enviada pelo Presidente da Assembleia Municipal, José António Carvalho, que impossibilitado de estar presente, por compromissos anteriormente assumidos, pediu para transmitir ao autor o apreço e consideração que tem pela sua obra.
Entre muitas presenças enumeradas, Maria de Lurdes referiu os nomes: Lisete de Matos, Prof. João Simões, José Rodrigues e Clarisse Sanches, pelas obras que também já publicaram, aproveitando para desafiar a continuação da escrita e incitando ainda para novos talentos que se venham a manifestar.
Com 175 páginas, "O Rasto dos Barrões", com textos que se baseiam no fenómeno migratório dos beirões da Beira Serra, tem prefácio do Eng. João Coelho e capa do Mestre H. Mourato, enaltecido pela representante da ADIBER, que reconheceu o trabalho do "artista de renome internacional", rendendo-lhe ainda homenagem não só pelo trabalho desenvolvido no livro, mas também pelas obras publicadas no jornal O VARZEENSE e pelas inúmeras exposições em que tem participado.
Lurdes Castanheira, consciente que a ADIBER tem uma área de acção abrangente reconhece que esta dá prioridade à formação, emprego e cultura, pelo que, continua a apostar no apoio ao lançamento de novas obras.
Refira-se que, esta décima primeira obra de Adriano Pacheco foi também apoiada pela ADIBER, no âmbito do projecto "Beira Serra Cultura Viva", subsidiado pelo Programa Comunitário Lider+. Lurdes Castanheira fez uma breve descrição do projecto e referiu algumas das formas como este tem impulsionado a cultura na região da Beira Serra.
A oradora aconselhou vivamente a leitura do livro e felicitou o autor pelo magnífico trabalho.
Para além de Lurdes Castanheira, na mesa d'honra estiveram ainda: Valentim Rosa, membro da direcção da ADIBER, Lourdes Barata, presidente do conselho fiscal da ADIBER, o autor do livro, Adriano Pacheco e o autor do prefácio e apresentador da obra, Eng. João Coelho, que mais uma vez, teve a responsabilidade de corrigir a obra de um autor que "acolhe as ideias e transforma-as em contos maravilhosos", conforme disse João Coelho que aconselhou a sua leitura, incentivando os leitores para fazerem inclusive criticas à obra, desde que construtivas.
Referindo-se aos oito contos inseridos na obra, João Coelho disse: "o livro trás á tona a problemática das raízes da infância e o regresso à sua terra natal". "Aborda ainda o debate de gerações e culturas". "Adriano Pacheco é um cavador cuja enxada dá pão à história de Góis", disse o autor do prefácio, que classificou a obra como sendo um livro de histórias verdadeiras ainda que ficcionadas.
Seguiu-se um momento dedicado à poesia, com a Prof.ª Paula Almeida a declamar alguns poemas de Adriano Pacheco.
Por último, o autor mostrou-se emocionado com a leitura dos seus poemas e manifestou a sua gratidão para com a Dr.ª Maria de Lurdes, a ADIBER e o Eng. João Coelho, que apesar da sua vida ocupada tem sempre encontrado tempo para rever os seus textos.
O autor falou um pouco do seu livro e do seu enquadramento no contexto literário das obras já publicadas e finalizou dizendo: "enquanto puder vou escrevendo".
Com alguns textos já nas mãos do seu revisor, pode afirmar-se que o seu próximo livro "já vem a caminho".
A terminar, foram diversas as pessoas que se pronunciaram sobre a escrita de Adriano Pacheco, encerrando a cerimónia com um beberete, oferecido pela ADIBER.
in O Varzeense, de 15/05/2009

 

 

nota do blog

autor do livro "Umbrais dos Penedos"

 

publicado por penedo às 23:32

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Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Adriano Pacheco em Góis

Apresentação de mais uma obra de Adriano Pacheco

 

 
No próximo sábado, dia 9 de Maio, vai decorrer a cerimónia de apresentação da obra literária “O Rasto dos ‘Barrões’” da autoria de Adriano Pacheco, em Góis. De acordo com um comunicado enviado ao RCA NOTICIAS pela ADIBER, esta cerimónia vai decorrer pelas 16h00, no Auditório da ADIBER, em S. Paulo, Góis.
in www.rcarganil.com
publicado por penedo às 09:21

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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

À Volta dos Penedos ---Festa do Regionalismo

Regionalismo goiense em grande jornada cultural

 
Grande jornada de fervor regionalista ocorreu no último dia 15, na Casa do Concelho de Góis, promovida pelo Conselho Regional, organizada pela aniversariante Sociedade de Melhoramentos da Roda Cimeira e apoiada pela Junta de Freguesia de Alvares, numa manifestação de entusiástico elan regionalista que soube ocupar e desempenhar bem o papel para que tinha sido convidada e que, por direito próprio lhe cabia.
Tudo era genuinamente beirão, começando pelas pessoas dentro do seu tagarelar e, sem nos darmos conta, dava-se uma desgarrada que resultava dum encontro inesperado misturado com o cheiro da chanfana com o apelativo aspecto do aferventado, ou com o brilho das filhós. Tudo presenteado pela colectividade que não se poupou a esforços para festejar condignamente os seus 80 anos de existência. A longa tarde avançava muito preenchida com momentos inesquecíveis, associados à prova dos sabores regionais, à degustação dos mesmos, ao requinte da sua exposição que traziam à memória os aromas da flor da urze, da flor da acácia e os sons dos silvos do vento. Numa palavra pode dizer-se que a nossa região esteve condignamente representada com a colaboração da Junta de Freguesia de Alvares no transporte das pessoas.
As forças vivas da região estiveram representadas por José de Carvalho da Assembleia Municipal e Helena Moniz da parte da Câmara Municipal; Dr. Vítor Duarte e Quim Mateus por parte da Junta de Freguesia de Alvares; Dr.ª Lurdes Castanheira da parte da ADIBER; pela Sociedade de M. de Roda Cimeira os Sr.s João Baeta e Jaime Carmo, pela Casa José Dias Santos e pelo Conselho Regional Dr. Luís Filipe que presidiu à mesa de honra.
Destas individualidades realçamos os seguintes apontamentos: o regozijo do Dr. Luís Martins e de José Dias Santos em terem a Casa cheia de gente que levou ao êxito deste evento; as palavras de satisfação do Dr, Vítor Duarte pelo momento de exaltação que se vivia e de Quim Mateus ao referir que nas colectividades são as pessoas que contam e só assim faz sentido; a lembrança de João Baeta dirigiu-se para a memória dos fundadores desta colectividade, para os quais pediu um minuto de silêncio e lembrou aos autarcas que aceitem as colectividades como parceiros sociais; Jaime do Carmo deu-se por satisfeito pelo êxito alcançado; Helena Moniz realçou a festa das Freguesias do Concelho; José de Carvalho valorizou o contributo das colectividades e o seu direito ao lugar de parceiros sociais; por último a Dr.ª Lurdes Castanheira relembrou a importância das colectividades, manifestou a sua simpatia por Roda Cimeira e deixou a boa nova do programa PRODEC. Todas estas intenções deixam adivinhar o advento de um novo ciclo de relações com as colectividades.
Houve também tempo e espaço para a poesia, tratada e analisada pelo Eng.º João Coelho que se deteve um pouco sobre a obra de Adriano Pacheco, deixando campo para que fossem lidos dez poemas inéditos, nas vozes de Marina Lopes, Filipa Victor, Ana Rita e do próprio autor que intervalaram e trouxeram alguma suavidade aos ouvidos dos presentes.
Mas este tipo de eventos, a música ocupa sempre o lugar de destaque ao alterar todo o ar formal e sisudo da plateia, a arrumação e a postura das coisas e das pessoas a partir do qual a agitação toma conta delas. Ninguém consegue ficar indiferente aos sons vibrantes e harmoniosos da concertina do Marcelo e seu grupo. A música e a sua presença em palco é algo que mexe com as pessoas e cativa a aderência do mais sorumbático cidadão. Para quem já esgravatou neste instrumento e conhece minimamente a sua técnica, não pode deixar de admirar a destreza dos executantes e a harmonia dos sons conseguidos.
Em traços muito largos foi assim que decorreram parte das festividades do regionalismo goiense e se homenageou o octogésimo aniversário da Sociedade de Melhoramentos de Roda Cimeira que os ventos falarão dele. Pelo que o Conselho Regional regozija-se com as celebrações em curso e aguarda com expectativa outros desenvolvimentos que se perfilam no horizonte.
in Jornal de Arganil, de 20/11/2008
publicado por penedo às 18:13

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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

80º Aniversáriodo Regionalismo Goiense -Festa da Freguesia de Alvares

15 de Novembro de 2008

Casa do Concelho de Góis
                                Rua de Santa Marta, nº 47, r/c dto.
                                                                     1150 – 293 LISBOA


Programa

15:00 Sessão de Abertura
          Abertura da Exposição

16:00 Apresentação do "Hino da Roda Cimeira"

16:30 Entrevista sobre o Regionalismo a Libanio Simões de Oliveira e João Baeta  com António Lopes Machado

17:00 Cantares da Roda

17:30 Poesia de Alvares, de Adriano Pacheco com introdução do Eng. João Coelho

18:00 Concertinas da Freguesia de Alvares

19:30 Concurso de gastronomia "Os Sabores da Roda Cimeira"

20:00 Lanche Regional

21:30 Baile Regional


Organização
                         Sociedade de Melhoramentos de Roda Cimeira

 

                           Casa do Concelho de Góis – Conselho Regional
 



Apoio
                 Casa do Concelho de Góis

 

                    Junta de Freguesia de Alvares

publicado por penedo às 09:43

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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

À Volta dos Penedos-Comemorações do 80.º aniversário do regionalismo goiense

No dia 25 de Outubro, na casa do Concelho de Góis, foi dado início às grandiosas comemorações do octogésimo aniversário do regionalismo goiense, com a Comissão de Melhoramentos de Vila Nova do Ceira a dar o mote no máximo esplendor do seu melhor, trazendo atrás de si um autocarro, cedido pela Câmara, cheio de gente vestida de entusiasmo, com muita juventude a dar o seu próprio colorido. Deste modo o Conselho Regional deu início ao evento que promoveu, fazendo recordar os velhos e famosos tempos em que a Casa cheirava a urze da Beira-Serra.
Foi uma feliz escolha para início deste género de manifestações, onde houve de tudo um pouco para mostrar como ainda se pode marcar presença e reviver um regionalismo saudável que teima em ocupar o seu lugar. Foi bom ouvir o Grupo de Cantares da Várzea com o seu vasto reportório matizado dum belo e doce naipe de vozes e um suave trinado de guitarras e violas; foi bom saborear as tiradas actuais e cheias de humor popular do Grupo de Teatro Nova Geração Varzeense, com acentuada irreverência e muito calor juvenil.
Para fechar a destacada e bem concebida parte cultural, a poetisa Clarisse Sanches fez a apresentação do seu já conhecido livro de poesia "Rosários de Amor"que, em princípio, seria acompanhada pela Dr.ª Maria de Lurdes Castanheira, a qual, por motivos de força maior não pode estar presente, fazendo-se representar pela Sr.ª Eng.ª Eunice Cabeças.
Seguiu-se depois o já célebre e faustoso magusto, servido a mais de cem pessoas sentadas, num alegre e festivo convívio, onde as enormes instalações da Casa se tomaram exíguas para tanta gente cheia de enorme alegria e boa disposição. Foi deste modo e como sempre, Vila Nova do Ceira se fez representar mesmo com a sua Junta de Freguesia ausente.
Antes porém houve a palestra própria destas circunstâncias, conduzida pelo presidente do Conselho Regional, Dr. Luís Martins, que se regozijou com a presença da enorme plateia, seguindo-se o presidente da Casa, José Santos, que agradeceu a presença de todos e pôs as instalações à disposição de quem as quisesse visitar. Seguiu-se o presidente da Assembleia Municipal, Sr. António de Carvalho, que disse do seu contentamento em se encontrar na Casa onde cresceu, tal como o Eng.º Diamantino Garcia, vice-presidente da Câmara que representava em nome do Sr. Presidente, de quem trouxe saudações e fez lembrar as belas traquinices de menino e moço, sem deixar de enaltecer o papel destas agremiações.
Por fim, o jornalista António Lopes Machado dissertou sobre o regionalismo com o seu saber de experiência feito, nos longos cinquenta anos de redactor da Comarca de Arganil, destacando vários nomes célebres do regionalismo e as suas importantes contribuições para o aparecimento das Casas Regionais de Arganil, Góis e Pampilhosa da Serra e outras tantas influências então exercidas. Falou também do povo da Beira Serra que demandou várias regiões, não esquecendo os vários e actuais contributos escritos, dados a conhecer para memória futura.
De realçar a azáfama do pessoal voluntário da Casa para ter tudo em ordem, receberem e servirem condignamente os seus conterrâneos que se deslocaram da sua terra para conviverem e comemorarem a efeméride levada a cabo pela iniciativa do Conselho Regional da Casa, facto que proporcionou um dia memorável nas comemorações que só agora estão em fase de início e se prolongarão com as representações das restantes Freguesias do Concelho, atingindo o seu auge já no próximo dia 15 com a representação da colectividade aniversariante e mais antiga do Concelho: Sociedade de Melhoramentos de Roda Cimeira.
Assim vamos alimentando a chama dum sentimento nobre que nos foi legado pelos nossos antepassados.
Adriano Pacheco
in Jornal de Arganil, de 30/10/2008
publicado por penedo às 12:34

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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

As Pedras do Lumiar

Montes soberbos se elevam

Num olhar que não alcança

Sâo Pedras do  Lumiar

Que nos fazem cantar

O cântico que o vento

dança

 

 

São pedras com este brilho

Que no horizonte se levantam

São marcas do nosso

caminho

Com suave desvelo e afago

Deixam o vento cantar

sozinho

Na estrada de Santiago

 

Nestas pedras se escondem

Esperanças  dum desejo novo

Respira-se o ar das novas eras

Caminho seguido deste povo

 

Na pureza destes rituais

Segue a aldeia dos Povorais

 

 

 

by  Adiano Pacheco

do livro Humbrais dos Penedos

publicado por penedo às 11:06

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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

ENCANTO DA SERRA

Lá longe se inclina o sol

Denuncia de clara lonjura

Montes soberbos, espaço

e fragrância

Tudo na serra é distância

Horizonte feito de verdura

 

 

Descampado tudo é relento

No cume dos montes cimeiros

Perto do céu estão os Amieiros

Deslumbrados com o firmamento

mas na serra têm o pensamento

 

Nada mais existe senão névoa

Lonjura nos caminhos da serra

Defronte, se estende a neve

Brancura que torna mais leve

A frescura que vem da terra

 

Neste deslumbramento sem fim

Nada mais existe no pensamento

Senão espaço, sol, chuva e vento

 

 

Silvos do Vento  de Adriano Pacheco 

 

publicado por penedo às 16:27

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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

OLHAR DISTANTE

 

Aqui bem perto do azul do céu

onde as esperanças persistem

e os olhos ficam molhados

Tudo é tão longe e abragente

Que nem o olhar longínquo

Altera o semblante sorridente

 

 

Aqui onde o horizonte se perde

de vista

E os altos e baixos  da vida

se encaixam

Reflectem a harmonia

dos contrários

A natureza acrescenta beleza

Matizando os mais belos cenários

 

Aqui o olhar é o mais longo

e hesitante

O espaço vagueia entre próximo

e distante

A luz lembra, o que se esquece

Todo o olhar dístraído....

tem a lonjura que merece

 

 

"Silvos do Vento "de Adriano Pacheco

 

publicado por penedo às 11:55

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Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

A Serra e o Esporão

Sopram ventos de saudade
Cai neve fria no meio da gente
Caem pálpebras na luz apagada
Unem-se corações de mão dada
E acende-se a lareira de repente

O calor liberta-se dos corações apagados
Fora de todo o conformismo
Se as luzes se acendem no meio da escuridão
É a força do regionalismo
Que vibra no lugar do Esporão

Se fores à serra vira-te ao poente
Envolve-te dessa imensidão
E se o sol te fizer deslumbrar
Não deixes de... por lá passar
P´la linda aldeia do Esporão

Fica ali, encostada ao penedo
Quando seguimos estrada fora
Se a aldeia é, acolhedora...
Muito mais é, quem lá mora!

Paxiano   ( Adriano Pacheco )

 

publicado por penedo às 11:28

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Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

A POESIA DOS PENEDOS II

A LUZ DOS PENEDOS

 

Lá no alto uma luz se liberta

Como se fosse chamamento

Um apelo se desencadeia

No socalco que medeia

Entre vontade e pensamento

 

Uma rocha se ergue na frente

Outra e outra na dianteira

Tudo se ergue em segredo

E quem sabe se a primeira

Não é o verdadeiro penedo?

 

São as alturas que apelam

À denúncia das fraquezas

Algo nos vem da origem

Temos sede de certezas

Na desordem da vertigem

 

Quanta vontade se levanta

No penedo que nos espanta!...

 

 

UMBRAIS DOS PENEDOS de Adriano Pacheco

publicado por penedo às 19:28

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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008

A POESIA DOS PENEDOS I

OS PENEDOS

 

Nos penedos que nos elevam

olhar aos céus

Há um deus que nos

acolhe

Num recanto luminoso

Onde a virtude

nos toca

Há um povo virtuoso

 

 

O silêncio que nos invade

Não vem do céu nem

da terra

Vem da paz que nos enleia

E no monte que semeia

O vento agreste vem

da serra

 

 

São pedras, filhas das rochas

Penedos que todos acolhe

Nesta profunda virtude

Enquanto o olhar

tudo recolhe

Nesta imensa quietude

 

 

UMBRAIS DOS PENEDOS de Adriano Pacheco

publicado por penedo às 10:02

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