Segunda-feira, 23 de Julho de 2012

1.º Grande Prémio - Élites-Sub 23, em Góis

rally

 

rally

 

in

cmgois

                                                                                                                                               

tags: ,
publicado por penedo às 16:04

link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 17 de Julho de 2012

Encontro dos Povos da Serra da Lousã (2012)

publicado por penedo às 22:37

link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

RAMAL DA LOUSÃ

 

 

MAIS UMAS FOTOS DA MANIFESTAÇÃO... Encostado á parede dos CTT,estava o Sr.Presidente da Casa do Concelho de Góis, José Dias,mero espectador,segundo me pareceu a dita casa não devia ter tido conhecimento deste efeito regional,
ou talvez isto na opinião de muito boa gente não fará parte do Regionalismo Góiense e de outros,mas enfim.De Góis diz o Movimento Cívico que havia mais ou menos cem inscritos o que não é mau de todo,mas da Edilidade não dei por presença alguma.


O Sr.Ministro Álvaro Pereira com os seus filhotes,afirmando à imprensa televisiva que as obras eram para continuar.O representante do Movimento Cívico Dr. Jaime e os representantes do poder Autárquico Coimbra,Lousã,Miranda julgo que não está presente ninguém de GóisMuita animação regional Muito Povo enchendo o Largo de Camões
O Dr.Jaime Ramos a dar entrevista á televisão Subida da Rua do Alecrim,eram muitas as camionetas nem as contei!
Fotos e comentários de A.R.Filipe
 
http://lugarvelhosobreiras.blogspot.com/
 
tags:
publicado por penedo às 12:28

link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 31 de Março de 2010

Serviços Florestais

Escrito por Susana Ramos 

   

http://www.diariocoimbra.pt

 

Lousã

 

Um ano depois
Serviços Florestais
regressam ao Zambujeiro

 

Apesar das autoridades competentes não terem confirmado, até agora, o Diário de Coimbra sabe que os Serviços Florestais da Lousã estão a preparar “as mudanças” para regressar à sede de origem, no Zambujeiro.
Sediados há décadas no Zambujeiro, perto da vila, os Serviços Florestais foram transferidos para Chã do Freixo, por ordem da Autoridade Florestal Nacional (AFN), no dia 3 de Abril do ano transacto, passando o pessoal a exercer funções no edifício anexo ao ex-COFT – Centro de Operações e Técnicas Florestais.
Na altura a mudança foi justificada com a «necessidade de levar à prática a reorganização dos serviços da AFN, numa óptica de eficácia e eficiência funcionais e de melhor prestação aos utilizadores, face à disponibilidade das instalações do ex-COFT». Na Assembleia Municipal da Lousã, no dia 29 de Abril de 2009, os deputados do Bloco de Esquerda apresentaram uma proposta em que recusavam a decisão de «transferir a sede histórica dos Serviços Florestais para o edifício do ex-
-COFT, numa zona de pinhal próxima do Aeródromo, a vários quilómetros das instalações do Zambujeiro». Na moção, aprovada por unanimidade, os bloquistas defendiam que tal deslocação obrigaria os utilizadores e funcionários dos serviços «a percorrer pelo menos mais 10 quilómetros em média, fazendo um percurso em que não existem quaisquer transportes públicos». Aprovado o documento, a Assembleia Municipal solicitava à AFN uma revalidação do processo. O executivo, liderado por Fernando Carvalho (PS), bem como o PSD da Lousã, opuseram-se também, na altura, à mudança, principalmente pela «falta de transportes públicos», alegando que a deslocação «não serve a população nem os funcionários».
De nada valeu e os serviços têm estado desde então a funcionar em Chã de Freixo, apesar das críticas.
O Diário de Coimbra recebeu recentemente a informação da (re)transferência do organismo florestal e contactou a Câmara Municipal da Lousã a fim de averiguar os motivos da mudança. Segundo a autarquia, até à data a AFN ainda não comunicou a transferência. Luís Antunes, vice-presidente do município, explicou ainda que a verificar-se essa mudança, «a AFN tem toda a legitimidade para o fazer», não sendo obrigatória a comunicação oficial à autarquia. Luís Antunes acrescentou ainda que apesar de a mudança para Chã do Freixo não favorecer utilizadores e funcionários, os motivos eram «compreensíveis».
Por outro lado, na AFN, a vice-presidente, Isabel Leitão, limitou-se a responder que «os serviços estão actualmente em Chã do Freixo e é tudo o que há a dizer sobre isto, agora». Certo é que, até ao final do mês, segundo apurámos, a mudança vai concretizar-se.
publicado por penedo às 19:01

link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Balanço da BTL

 

 

 

[turismo do centro.JPG]

 

Turismo do Centro perspectiva ano de recuperação turística

 

O ano de 2010 será, certamente, «melhor» para o turismo na região. Esta é, pelo menos, a convicção do presidente da Turismo Centro de Portugal (TCP), Pedro Machado, que ontem, em jeito de balanço de mais uma edição da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), afirmava que os sinais dados pela presença de visitantes no stand da TCP indicavam um ano de «recuperação» para o turismo, comparativamente a 2008 e 2009.
Desde terça-feira, dia da inauguração da BTL, até ontem, dia de encerramento, passaram pelo stand do Centro de Portugal milhares de pessoas, desde operadores turísticos a escolas (com cursos na área do turismo), passando pelo consumidor final. «A aposta foi ganha», afirmou Pedro Machado, garantindo que o stand chegou mesmo a funcionar como «ponto de encontro» de muitas pessoas, incluindo de outros stands. «As pessoas passavam e repassavam», anotou o responsável do Turismo do Centro.
Reconhecendo a presença de menos stands na BTL, comparativamente com edições anteriores, Pedro Machado garante, contudo, que, no que ao do TCP diz respeito «é a maior representação de sempre, a mais forte e a mais bem conseguida».
Durante os cinco dias do evento, fizeram-se representar no stand 42 municípios que levaram não só o seu material promocional, como um pouco do que é a sua cultura e gastronomia. Dos ovos-moles de Aveiro à chanfana de Poiares, passando pelo mel da Serra da Lousã, pelo leitão da Bairrada, houve de tudo um pouco para degustar em Lisboa. São os sabores e saberes de uma região que prova ser «um destino turístico de grande qualidade e diversidade», afirmava ontem Pedro Machado, enquanto assistia às últimas actuações da região na BTL – as danças e cantares apresentados pelos municípios de Arganil e Góis.
Com uma participação «maciça» dos municípios – 42 dos 57 que integram a TCP – Pedro Machado destacou ainda a adesão de outros parceiros, sejam associações, colectividades ou mesmo produtores. Deu ainda especial destaque à visibilidade que a TCP, através da sua estratégia promocional, deu aos pequenos municípios. Ou seja, tanto a grande cidade de Aveiro como os pequenos concelhos de Góis ou Oleiros tiverem o seu “tempo de antena”. «Uma das vantagens que a Turismo do Centro tem é que, ao contrário de ficar amarrada às barcas mais fortes, dá também atenção aos mais pequenos», explicou Pedro Machado, referindo a sua «estratégia» que passa por «valorizar o que é particular em cada município».

Escrito por Margarida Alvarinhas   
 
in

 

publicado por penedo às 20:10

link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Passeio aos Penedos

 

 

 

 

clique para ver

www.youtube.com/watch

 

 

 

 

 

 

publicado por penedo às 23:05

link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

21 (domingo) CAMINHADA: “Na Rota dos Veados” - Serra da Lousã

 

Percurso muito acessível, com desníveis suaves, quase sempre ao longo de caminhos florestais. Na Rota dos Veados é um percurso que se realiza na zona alta da Serra da Lousã, percorrendo zonas florestais e de extensos matos de urze e carqueja, habitat preferencial do maior mamífero desta Serra, o Veado. É possível, ao longo de todo o trajecto, encontrar vestígios deste cervídeo (marcações nas árvores, trilhos, dejectos, pegadas, etc.). Com alguma sorte, também poderemos observar e/ou ouvir algum destes animais em plena liberdade.

Tipo de percurso: Circula. Extensão: cerca de 8km. Duração: 4-5h.

Para inscrições e informações:
Bairro de S. Paulo, 13, 3330-304 GÓIS tel / fax 235 778 938

telem 966 217 787

mail geral@transserrano.com

 

tags: ,
publicado por penedo às 18:35

link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

AIGRA VELHA ....neve

                               

                                                                    foto do  "Penedos"

publicado por penedo às 19:53

link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Neve na Serra da Lousã

O Penedo viu o maior nevão dos últimos 20 anos na Serra da Lousã 

o que atraiu centenas de pessoas ao Trevim e ao Santo António da Neve.

 

 

Veja o vídeo da notícia da SIC clicando: Aqui

 

 

 

 

publicado por penedo às 17:44

link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

À Volta dos Penedos---Góis - Feira da Castanha e do Mel

 
 
foto hi5 Poboraes
Vista  dos Povorais e seus soitos de castanheiros
 
Como já vai acontecendo há alguns anos, realizou-se este fim-de-semana a Feira da Castanha e do Mel na Vila de Góis. Além dos feirantes habituais as vendedoras de castanhas estavam presentes e os visitantes aproveitavam para encher os sacos e preparar reservas para o S. Martinho que não está longe.
Os preços rondavam os 3 euros o quilo, um preço bem alto se considerarmos que o produto já foi a base da alimentação desta região. Mas os soutos escasseiam, explicou ao Jornal de Arganil Fernando Barata Henriques, de Povorais, e o único produtor local presente na Feira que vendia a castanha ao simpático preço de 1,50 euros. Um apaixonado da vida do campo, com a sua mulher Maria Isabel Henriques, trata dos castanheiros que herdou da família com toda a atenção que merecem. Já reformado do trabalho do bem conhecido Café Barata, dedica parte do seu tempo aos castanheiros e às nogueiras. "Em a gente acabando, isto acaba", declarou Maria Isabel. É difícil descer à Ribeira da Pena e, porque tem uma pequena camionete, ainda é o marido, com alguns homens, que faz o transporte das castanhas de outros proprietários que não têm meios para o fazer. Mas as queixas vão mais longe. Segundo Fernando Henriques já não são só os javalis que rondam os castanheiros agora são também os veados lançados na Serra da Lousã que se regalam com o fruto. Apesar de tudo, este simpático casal só desiste quando não puder mesmo assegura o serviço e a razão está no prazer que lhe dá cuidar do que foi dos seus antepassados, prazer esse que lhes está estampado nos rostos e no vibrar da voz.
Uma tenda instalada na Feira estava reservada a produtores de castanha e mel que vendiam também produtos derivados, como licores, polén, e objectos decorativos feitos de cera. Por seu turno, a LousãMel aplicava-se na análise de amostras de mel, registando características dos produtos que se apresentaram a concurso.
Como não há festa popular sem música tradicional, subiu ao palco, na parte da manhã, o Grupo Folclórico "As Sachadeiras", da Casa do Povo de Vila Nova do Ceira. Enquanto muito povo os via e ouvia, do outro lado decorria o campeonato do Jogo da Malha.

                  Concurso doçaria

ALUNOS DA ESCOLA BÁSICA GANHAM 1.º PRÉMIO

Concurso de doces à base de mel. Fizeram parte do júri, em representação da Associação de Apicultores de Góis, sr.ª Júlia Fernandes, da Lousãmel, a eng.ª Ana Paula Sancesa, da Câmara Municipal de Góis, a vereadora sr.ª D. Helena Moniz.
A classificação final foi a seguinte: 1.º lugar, finalistas da Escola EB 2,3 de Góis; em 2.º lugar, Ramiro Simões; em 3.º lugar sr.ª D. Maria Olívia Almeida.


                             Concurso de Mel

JOSÉ CARVALHO GANHA O 1.º PRÉMIO
 

Num ano em que foi patente a escassez de mel na área da serra da Lousã é extremamente importante para motivação dos produtores a realização deste concurso, o primeiro no contexto deste certame e que foi promovido pela Câmara Municipal em parceria com a Lousãmel. Participaram 8 produtores e o resultado foi o seguinte: 1.º lugar, José Carvalho; 2.º lugar, Aníbal Tomaz Carvalho; 3.º lugar, Jorge Veiga Antunes.

O júri era composto por: Presidente da Lousãmel, sr. António Carvalho, Eng.ª Ana Paula, técnica desta instituição e Luís Ferreira, da Câmara Municipal de Góis.
Os concursos enquadraram-se no programa de animação da Festa de Feira e do Mel, que contou com muita animação e com a presença do Presidente da Câmara de Góis, José Girão Vitorino, já restabelecido da sua saúde e em dia de aniversário natalício.
Não queremos deixar de assinalar o trabalho, destreza e simpatia da funcionária da Câmara Municipal, Eng.ª Helena Pedruco que, pertencendo à organização foi incansável no sentido de resolver todos os problemas que foram surgindo durante todo o dia.
 
 
 
                                                                           in Jornal de Arganil, de 6/11/2008

 

publicado por penedo às 16:25

link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

IV-Estória dos anos que já lá vão

 

SETE DIAS À TOA NA SERRA DA LOUSÃ

 

 

por Ernesto Ladeiras 

 

continuação

                                                                                                                                                                     

Foi fácil chegar à Casa Grande, testemunho óbvio de abastanças e glórias passadas, "cheia dos bons e maus cheiros das casa que têm história". O Dias, ao ver-nos ficou surpreendido com o mau aspecto e o tamanho da comitiva, mas mais surpreendida e agastada ficou a pobre da D. Augustinha, velha governanta da casa, quando soube que vínhamos para jantar e passar a noite. Os aposentos ainda é como o outro; quartos não faltam e estamos no verão. Agora o comer é que eu não sei , menino! Tudo se arranjou. Uma panelada de batatas cozidas e um quarteirão de petinga (provisão da casa guardada no mosqueiro para o dia seguinte) rapidamente tisnadas no borralhiço grosso, retirado da gaveta da fornalha do fogão a lenha. Após o jantar que, e apesar de tudo, até foi, para nós, um" lauto banquete", demos umas voltas pela vila. Com uma noite feita de todos os silêncios e um intenso luar que tornava ainda mais irreal a brancura das ruas e ruelas, as nossas conversas descambaram, inevitavelmente, para a especulação filosófica. Muito estranho é, de facto, este mundo que nos rodeia. Aquelas estrelas, tão arrogantes, aqui mesmo por cima das nossas cabeças, afinal não são mais que pontos de infinitos "icebergs", em permanente expansão no Espaço - Tempo cósmico. E a nossa própria Estrela, o Sol, é uma dessas infinitas pontas. E nós próprios, aqui e agora, nesta noite de um luar fascinante, percorrendo as ruas e ruelas mágicas de Góis, com as nossas alegrias, as nossas ansiedades e os nossos sonhos, somos ainda uma projecção, um prolongamento, dessa terrivelmente misteriosa e grandiosa " máquina" que é o Universo. A própria aventura que o bando dos seis está a viver só é possível porque na "fornalha atómica" de uma certa Estrela, em certo ponto do espaço - tempo, foram fabricados os átomos que permitiram a existência de Serra da Lousã, dos nossos corpos, dos alimentos que os mantêm e até mesmo dos nossos espíritos e dos nossos sonhos. E quanto à Vida, quem a concebeu, projectou e desenvolveu? E a Morte, quem a decretou?. E o caos, o aleatório e a incerteza?. Insegurança e medo metafísico! Enigmas indecifráveis! Contentemo-nos em fruir o real ingénuo e aparente, e aceitemos, até ver, o princípio antrópico, que reza mais ou menos assim: "Nós vemos o Universo tal como ele é, porque, se ele fosse diferente, nós não estaríamos aqui para o observar".

Antes de nos deitarmos, e não obstante o cansaço, ainda fomos até à ponte manuelina espreitar a lua no fundo do pego. Vimos a lua e também uma frota de quadrigas, transportando lindas romanas. Encontrada então a razão porque, àquela hora, as ruas de Góis estavam tão desertas, nessa noite soturna e luarenta de Verão.

De novo na Casa Grande. Em três quartos, dois a dois, como bons frades, assim foram destinados os nossos aposentos; assim foi decidido que dormíssemos . Se não nos falha a memória (vai decorrido quase meio século ) foi assim: Chico Almeida com Vitor Brasileiro, Jorge Ladeira com Rui Bento e Silvério Pinaz com Ernesto Ladeira. Acasalamentos equilibrados ( Honni soit qui mal y pense !). Não fora o estupor da coruja agoirenta que toda a noite piou tenebrosamente por ali, e o merecido descanso teria sido pleno e reparador. Que mundo tão estranho este, com criaturas destas a comunicar de um modo tão sinistro. Que diriam disto os rouxinóis acoitados nas ramadas? Claro que os mais apoquentados de nós foram os que dormiram na ala contígua à igreja e ao cemitério, territórios preferidos por tão antipáticas e bizarras carpideiras.

Oito da manhã. Início do nosso segundo dia de campanha. Pelo "nosso celular" recebíamos a informação de que o autogiro camarário (maquineta voadora a gasogénio, utilizado na manutenção da iluminação pública e no polimento da Lua) estava fora de serviço. Bonito! Tramados ! Como vamos sair agora daqui, deste poço tão fundo? Acrescia ainda, para nossa desgraça, que a " função subida", dos nossos batiscafos individuais, estava desactivada. Quanto ao pequeno almoço, nicles. A este respeito não havia problemas. Por esses cerros acima, há muita água fresca e oxigénio de primeira; e pinhões não faltam ao longo desses pinhais. El rei manda subir e não carpir.(Sem que nos déssemos conta, estávamos em pleno e saudável regime de emagrecimento, em permanente festa).

Briefing: Etapa Góis- Portela do Vento, sempre em linha de subida. Entraremos no alcatrão (EN 112) pouco antes de alcançarmos o viso da serra. Navegação a corta-mato, ponto por ponto. Bússolas neurais a sete canais. Tempo estimado quatro a cinco horas. A partir do viso da serra entraremos, finalmente, no reino dos compadres, parentes, primos e primas; terras de leite e de mel à custa de gentes muito esforçadas. Próximo reabaste-cimento na Roda Cimeira ( previsão ).

Pendurada que foi a tralha do Silvério, num longo e robusto cacete, logo ali foi estabelecida a escala de rendição dos alombadores. E uma dupla voluntária imediatamente se prontificou para cumprir o primeiro lanço daquele "martírio" adicional. Todos equipados de varas de feijoeiro, quais lanças quixotescas, aquela grotesca trufa de alucinados maltrapilhas, embrenhou-se no pinhal e foi grimpando, penosamente, a inclinadíssima lomba.

As duas primeiras horas de marcha foram duras, mas, depois, as coisas começaram a melhorar, à medida que a inclinação do terreno se ia adoçando. Finalmente encontrámos água, embora escassa. Quanto a pinhões, nada de jeito.

Estávamos nós no repouso do guerreiro, deitados de costas sobre a lebrinha sedosa e fresca, olhando o céu, por entre as copas baloiçantes dos altos pinheiros, quando começamos a ouvir uma reconfortante polifonia, feita de mil ecos cruzados, devolvidos pelas quebradas. Era o pessoal da resina, disperso pelo pinhal, cantando, à capela, "cânticos gregorianos" resineiros, enquanto iam, rascando, com seus afiados ferros, as sangrias, para reavivar o seu doloroso sangrar. Uma pura Sinfonia-Natureza. Arte do mais fino quilate. Melhor que as sinfónicas de Londres ou New York.

Feita a rendição dos carregadores, reiniciámos a nossa esforçada marcha. A fome e o cansaço começava a gerar no bando algum desalento e desencanto. Inspeccionadas as chanatas do Chico, verificou-se que tinham ainda rastos e lonas para muitos quilómetros. A grande serra–mãe, agora quase despida de pinhal, mostrava-se, ostensivamente, em toda a sua grandeza e esplendor. E já se adivinhavam, ao longe, sinais do alcatrão, garantia de uma navegação mais fácil, embora mais monótona. A nossa rota encaminhava-se, perigosamente, no sentido do enfiamento Povorais-Santo António. E perigosamente, porque corríamos o risco de eventuais deserções que, felizmente não se verificaram.

Chegados ao alcatrão, já o Sol se preparava par dar a grande cambalhota sobre o poente. A esperança de, finalmente, enchermos a malvada, na Roda Cimeira, mantinha-se de pé, fosse almoço ou coisa equivalente.

                                                                                                    (continua)

 

 

 

 

 

do  jornal O Castanheirense

 

                                                                            
 

 

publicado por penedo às 20:27

link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

III-Estória dos anos que já lá vão

  

SETE DIAS À TOA NA SERRA DA LOUSÃ

                                                                                                                                                     Por Ernesto Ladeira
                                                                                                                 (Continuação do número anterior)

Reorganizadas as hostes, foi dada a ordem de marcha, agora alinhados em fila indiana dupla (3 numa berma e os outros 3 na outra, sendo que dois de uma das filas, eram os carregadores de serviço). E assim fomos seguindo, trocando graçolas para manter os ânimos e esquecer a fome. Em breve chegaríamos às Quelhas, que ficavam já muito perto da Portela do Vento, onde as águas se separam.

As Quelhas, dos velhos trilhos cruzados, gravados por negociantes, almocreves, pedintes itinerantes, vagabundos e salteadores. Roteiros de desvairadas gentes e destinos. Contavam-se histórias tenebrosas de roubos, assaltos e até mortes. De tempestades e nevões que sepultavam imprudências, bebedeiras e doenças. De lobos que atacavam gados em trânsito, e que faziam até longas perseguições a montadas.

Íamos nós, calmamente subindo, na nossa dupla formação indiana, já muito perto das Quelhas (sítio ainda tido como de má fama), quando nos surge, pela frente, lá no alto, um ciclista de pasteleira, com sacos e saquitéis amarrados ao suporte. –  Eh amigo, Eh amigo, a Roda Cimeira é muito longe? E onde são as minas da Roda? ; gritámos todos a uma voz. O nosso homem deve ter passado um mau bocado, ao deparar com todo aquele aparato. Alinha com o centro da estrada pedais para que te quero, mais a força da gravidade e ele aí vai, a toda a mecha, sem tugir nem mugir. –Ora um merda destes, com medo dos putos ! Dizia o Chico , chateado. Quem tem cu tem medo! Alguém atirou para o ar, esta velha chapa-feita, à conta de uma pretensa justificação para a fuga desesperada do nosso apavorado ciclista.

Esta empolgante Serra da Lousã, enorme chapéu de muitos bicos. A caprichosa geometria dos seus descomunais volumes que nos esmagam e assustam. Quem teria concebido, projectado e construído este colosso? Que forças estranhas (aleatórias?) a teriam empurrado até cá em cima? Quem a teria vestido e povoado de Vida ? Há quantos milhões de anos existe e quais as alterações sofridas desde o início da sua formação? Que lhe acontecerá no futuro ? Continuará o homem a respeitar minimamente a sua "provecta idade" e a sua magestade? O que terá ela nas suas entranhas?

Diziam os antigos que a Serra da Lousã era atravessada por um" braço de mar", razão porque nunca fora levada por diante a ideia da construção de um túnel rodoviário entre a Castanheira e a Lousã. Uma palpitante e fantasmagórica fantasia que estava bem na linha dos grandes sonhos que os Castanheirenses sempre acalentaram, de reduzir drasticamente as distâncias que os separavam de Coimbra, mas que foram sendo sucessivamente desfeitos. A Lousã e Coimbra alí mesmo por detrás da Serra, mas na realidade ainda tão longe de nós. E assim continuamos e continuaremos, lamentavelmente.

Nas suas entranhas não corre um tenebroso "braço de mar" mas corre água potável, graças ao trabalho natural da floresta e dos matos nativos. Água que alimenta fontes, minas e poços e sustenta os mínimos ecológicos dos cursos de água.

A grande Serra tinha, de certo, também, nas suas entranhas, ouro, volfrâmio, urânio, titânio e outras raridades minerais. Coisas boas ou coisas más, consoante o uso que a Humanidade delas faz. Durante a nossa subida, a partir de Góis, encontrámos estranhas escavações, explorações avulsas de volfrâmio (tungsténio), muito usado, durante a segunda guerra mundial ( 1939-1945), no fabrico de armamento bélico. Tremendas tragédias muito recentes; fumegavam ainda, um pouco por todo o Planeta, as monstruosas e trágicas borralheiras do maior drama humano deste século, senão de todos os tempos. Terríveis consequências dos comportamentos da besta- homem, irracional!

Em contraponto, ali estava perante nós, a majestade e a paz absoluta da Serra da Lousã. Foramos nós toupeiras atómicas e miná-la-íamos, sem deixar mácula, até ao magma, muitos quilómetros abaixo, na busca dos vestígios primordiais deste doloroso e grandioso parto telúrico, que é, agora, a esplendorosa Serra do Pinhal – Monumento verde, natural, implantado no coração de Portugal.(continua)

publicado por penedo às 17:49

link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

II-Estória dos anos que já lá vão

 

SETE DIAS À TOA NA SERRA DA LOUSÃ

FASCÍCULO SEGUNDO 

( continuação )

O nosso primeiro contacto foi com o Ti Manel Henriques, nosso velho conhecido e amigo, guarda nocturno (sereno) na Rua do Crucifixo e biscateiro, em Lisboa. E também confidente de amores mal parados e de muitas angústias existenciais. Logo se juntou por ali um punhado de gente curiosa. Quem serão, de onde virão e ao que virão ? Somos da Ribeira de Pera, vimos do Coentral e andamos a monte; meninos loucos, às carreirinhas, a fazer " westerns "do pim- pam-pum. A presença do Ti Manel Henriques e a referência ao Coentral, tranquilizou o pessoal. E então vai de aclarar propósitos e relembrar vidas e histórias passadas. Aquela história roxa da ceguinha que perdera a vista, quando menina, por olhar, obstinadamente, horas e dias sem fim, para a telha (caco) de vidro, única fonte de luz que alumiava e aquecia o buraco onde a mãe a "arrecadava ", enquanto ia à vida ( e os milhafres continuavam a pairar, lá nas alturas, em curvas suaves de liberdade absoluta... ). Aqueles nevões à moda antiga que levavam o isolamento a pontos críticos. Os lobos uivavam por perto e, à noite, os cabecilhas das alcateias, ousavam atravessar o povoado e farejar os cortelhos. Consta que os antigos lançavam, por vezes, uma morteirada na noite silente, para "limpar o terreno". Adoecer ou morrer por ali, era o cabo dos trabalhos. O acesso ao alcatrão só a pau e corda ou em carro de bois. As mulheres das meias ( tarefeiras de acabamentos ) deslocavam-se, frequentemente, ao Coentral. Penosas caminhadas, sobretudo durante as duras invernias.

E houve merenda que, por sinal, também foi almoço, nesse primeiro dia da nossa maravilhosa aventura serrana: sopas de almece com pão de centeio, queijo fresco e mel. Veio depois o grande momento do lavrar dos autos testamentários e o pedido de encomendação das nossas almas, dirigidos ao Padre Tomaz, do Coentral. Documento gravado sobre papel pardo, era uma ternurenta ladainha, em que se apaziguavam as famílias e em que se faziam magnânimas doações à Paróquia. Depois foi o momento solene da entrega desta importante missiva à recoveira, exactamente uma simpática tarefeira de acabamento de meias, que ia, naquele momento, partir para o Coentral.

O Padre Tomaz era um castiço de corpo inteiro. Pastor de almas e de cabras, paisano assumido, mastigava alho e emburcava tintos (ou brancos) com isquinhas de bacalhau, na taverna do Ti Joaquim Côvado, escala técnica obrigatória, nas suas penosas caminhadas para a Vila. Durante uma missa na N. S:ª da Guia, descaíram-lhe as calças (atadas com um baraço) . Valeram-lhe as longas e avantajadas véstias sacerdotais e a pronta e discreta solicitude do fiel sacristão. Noutra ocasião, e na mesma capela, corriam os anos da guerra 39-45, nas suas prédicas, chamava a atenção dos fiéis para os custos e dificuldades na obtenção, no mercado negro, da farinha triga para as hóstias, tornando-se, por isso, óbvia a necessidade de uma compensação. Consta que, para além do pastoreio do seu próprio efectivo, chegou a ir para a serra com a cabrada comunal do Coentral, a troco de uns tostões para ajudar a custear o seu múnus. Caçava e pescava por gosto e necessidade. A memória do Padre Tomaz ficaria, para sempre, colada ao historial da Paróquia, que servira durante largos anos.

Adeus Povorais, talvez para nunca mais! O nosso destino era, agora, Góis, onde pretendíamos recuperar a tralha do Pinaz na Casa Grande, testemunho de glórias passadas (papel Prado- Ceira). Em fila indiana, seguimos ao longo do monumental paredão, àquela hora fortemente iluminado pelo Sol poente. À esquerda ficava a Ribeira de Pena, célebre pelas suas trutas indígenas, criadas em águas lusas, fortemente batidas e oxigenadas.

A alegria nos nossos corpos e a ardência nas nossas cabeças eram tão intensas que, a páginas tantas, por um estranho impulso de levitação e por uma inversão do sentido da força dos gravitões, descolámos como um bando de perdigotos. Ao atingirmos a altitude do milhafre espião- planador, entrámos em cruzeiro, com navegação neurónica, ponto a ponto. Rapidamente avistámos, à direita, o alcatrão e, lá muito no fundo de um cerro, quase a pique, qualquer coisa como uma enorme pedra branca, camuflada pelo denso pinhal velho, que nos pareceu ser a Vila de Góis. O nosso radar de bordo não tinha capacidade de resolução suficiente para distinguirmos bem. Uma pequena inflexão para a esquerda e estávamos á vertical da Cerdeira de Góis. Aqui resolvemos cumprir uma escala técnica. Numa tasca rasca, do tempo da Maria Castanha, o taberneiro ficou de pé atrás, ao ver entrar aqueles meliantes munidos de varapaus e com aspecto duvidoso. Enquanto se desenrolava o difícil diálogo, olhava-nos de soslaio e rebuscava, discretamente, qualquer coisa debaixo do tampo do balcão. Não, certamente, o freio que o Ti Álvaro Tomaz puxou debaixo do balcão e ofereceu a um caixeiro viajante, quando este lhe perguntou se tinha qualquer coisa que se metesse na boca. Talvez antes, pondo a jeito algum " tira teimas". Para o que desse e viesse.

O nosso fundo de maneio era apenas de sete tostões. Um pouco mais do que um tostão por cabeça. Não era com este dinheiro que poderíamos travar a fome a seis galfarros na idade de comer este mundo e o outro. Resolvemos, então, enganá-lo, investindo, pecaminosamente, todo o nosso dinheiro em tabaco. Os sete tostões não davam sequer para o maço mais barato. Faltavam mais uns tostões. Estávamos nós a negociar com o casmurro do taberneiro como tapar o buraco, eis que entra taverna dentro um caixeiro- viajante, vindo dos lados da Lousã, que logo desanuviou o ambiente e sanou a nossa pendência. Homens da estrada, a tempo inteiro, de proverbial bonomia e boa disposição. Vendedores de mercadorias, mas também de sonhos e ilusões. Passadores de boas e más notícias; exímios contadores de histórias e anedotas.

O nosso providencial benfeitor logo assumira que se tratava de "maralhal de Coimbra ", tesos, como de costume. Refrescos e bolachas para todos. Um momento de boa disposição e reconforto; um óptimo estímulo para retomarmos a nossa empresa. O nosso caixeiro viajante seguia lá para as bandas de Alvares ( Coração da Amazónia Lusitana ). Escusado será dizer que estava lançado o "marketing" da nossa bizarra cruzada. Terra alqueivada, meia sementeira amanhada!

Antes que chegasse a noite, tornava-se mister alcançar a vila de Góis. Os nossos estômagos já andavam a dar horas trocadas. Era imperioso alimento substancial e descanso prolongado para os nossos corpos e espíritos. A etapa do dia seguinte (Góis- Alvares, através da Portela do Vento ) seria igualmente longa e emocionante.

 

Ernesto Ladeira

(Continua )

do  jornal O Castanheirense

 

 

 

publicado por penedo às 17:15

link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

I- Estória dos anos que já lá vão

SETE DIAS À TOA NA SERRA DA LOUSÃ

 

 

É este o título de uma aventura decorrida em plena Serra da Lousã, nos já longínquos anos 50, e vivida por diversas personagens, que nos dispensamos de apresentar pois o leitor, com o decorrer da história, irá decerto desvendar as respectivas identidades.

 

Trata-se de um relato de Ernesto Ladeira, que será apresentado em fascículos nos próximos números d’ O Castanheirense.

A excelência da prosa, polvilhada aqui e além pela poesia que corre nas veias do autor, o pitoresco de uma vida serrana que já pertence ao passado, e o facto de as personagens serem pessoas sobejamente conhecidas de todos, são motivo mais que suficiente para o leitor seguir com atenção o desenrolar desta aventura vivida por jovens estudantes de Coimbra em férias de Verão na sua (nossa) Serra da Lousã.

 

 

Naquele tempo toda a serra era ainda uma pungente saudade de verde. Fantástico ecossistema, sem mácula, a transbordar de vida e povoado de gente de eleição. O vale era, então, despudoradamente verde. Um verde de desvairados matizes e inebriantes fragrâncias, despedidas pelas aromáticas e pelos melaços das folhosas. Só os apitos angustiantes das laneiras cortavam, a tempos certos e em registos diversos, os silêncios originais, ao mesmo tempo que nos advertiam de que não estávamos propriamente no paraíso. Advertências irrelevantes para jovens que viviam em permanente estado de êxtase em movimento. A imparável irreverência coimbrã, amaciada pela temperança lisboeta. Decorriam as férias grandes de um dos primeiros anos da década de cinquenta. Certo dia, no Coentral, a coroa do Distrito e airosa estância natural, de veraneio familiar, um bando espontâneo de seis comparsas, dispara, a corta- mato, para o Santo António da Neve.

Acocorado numa dobra suave da vertente norte da serra do Coentral, o Santo António da Neve era ainda uma zona quase virgem e nem sequer as vetustas construções oitocentistas (capelinha de Santo António e Poços da Neve) colidiam, ao de leve que fosse, com a pureza, silêncio e harmonia do local. Velhos relvados e carvalheiras seculares, completavam o décor de tão aprazível lugar. Enfim, um púlpito singular, dádiva da Natureza, a mil e tal metros de altitude, para nosso recolhimento, meditação e observação. O Trevim ( 1200 m arredondados ) era ali mesmo defronte. Em dias de transparência limite, era possível avistar o Senhor da Serra, Coimbra e até a Figueira da Foz. Percorrendo todos os ângulos do arco de visão, abarcava- se uma vasta fatia do Portugal - Centro. Santo António de Lisboa ficava bem ali. Contemporâneo de São Francisco de Assis, foram dois amigos estremes da Natureza. E a propósito de Santos, obrigado Zé Brasileiro ( Estrada – Nova ) por aquele fantástico nascer do Sol no Santo António, ao som tremulante dos panais amarrados aos ramos das carvalheiras. Velas agitadas pelas brisas frescas que vinham do mar. Por onde andarás tu, nosso querido timoneiro, desse veleiro, dos sonhos desfeitos?

Apenas uma vez por ano ( 13 de Junho ) se massificava ali a presença do homem, munido de tronchudos e apetitosos farnéis, ostensivamente exibidos sobre toalhas de circunstância, estendidas sobre a relva macia. Era uma Festa genuína, de famílias, de serranos para serranos. Tão natural e pura como o ar que, por ali se respirava. Concertineiros da montanha e espontâneos dançares e cantares ao despique, transfiguravam aquela instintiva concentração e o cenário em que ela se movia. A pureza daqueles sons nascentes misturavam-se harmoniosamente com o mavioso tagarelar dos forasteiros à volta dos farnéis, também ele musical, cantante, tranquilo e envolvente. Só o pessoal de Vilarinho, por vezes, fazia o contraponto, brincando ao jogo do pau. Esqueciam -se, porém, que brincadeiras de homens são beijos de burro.

O bando dos seis, alcateia de lobinhos inocentes e irrequietos, abeirou-se, mais uma vez, da fronteira relvada daquela soberba plataforma e, de novo, voltou a farejar, a nascente e a norte, aquele mar alteroso de sargaços que se afundava a seus pés, até perder de vista. Uma súbita vontade de descolar em voo sem motor, percorreu-nos os nossos corpos cheios de alegria e de energias de alta rotação. Um milhafre que pairava, lá nas alturas, em curvas suaves de liberdade absoluta, deu-nos que pensar.

Góis fica para aquele lado. Tenho lá uma tralha de Coimbra que gostaria de lá ir buscar, disse o Pinaz. Morra quem se negue! Adeus Santo António da Neve! "Alea jacta est"! Gritaram todos.

Mal roupados, mal calçados, desprovidos de equipamentos e logística, sem avisos à navegação e sem planos, os 3 x 2 da vidairada lançam-se, à toa, por aquelas serranias além. Contavam apenas com a sua juventude, amizade e solidariedade e ainda com o tempo, que era de verão. E, claro, com a bondade dos povos serranos que raramente falhava. Gente bíblica !

A nossa próxima etapa ia ser feita também a corta –mato, mas com navegação à vista. Os Povorais ficavam ali mesmo em frente, a pouco desnível de nós, implantado num reduzido planalto, suavemente recurvado e protegido, a nascente, por um paredão- cerro ( espinhaço de cão ). Impressionante monumento natural em pedra, trabalho da erosão durante muitos milhões de anos; descomunal "ex-libris" de um minúsculo e primevo povoado perdido nos cocurutos da Serra da Lousã.

Pouco depois de iniciarmos a marcha, e ao transpormos uma quebrada, bordada de velhos castanheiros, com o chão coberto de ouriços, acerados pelo calor, eis que se dá o primeiro percalço. O Chico Almeida, o benjamim do bando, que já naquele tempo andava na moda; calçava ténis, só que não eram dos modernaços de agora. Vai daí tivemos que lhe sacar um porradão de picos de um dos calcantes. Face ao acontecido logo ali foi aprovado o primeiro "pacote normativo" da organização interna do bando: A nomeação e competências de um "chefe espiritual" e de um "chefe físico". Talvez o primeiro e o último, já que o bando era unido e disciplinado. Além do mais, quem dele se desviasse ficaria no mato duas vezes.

E os Povorais já ali mesmo á mão de semear. A descida fora rápida e brusca. Fora mais um trambolhão à retardadora no matagal do que uma descida. Estávamos agora à cota dos Povorais e a caminhada começava a adoçar. Já era possível seleccionar trilhos alternativos. As fronteiras entre o verde amanhado e o verde escuro dos matagais envolventes eram já muito nítidas. Lá ao fundo sobressaía a imponente cortina de pedra ( Espinhaço de cão ) e, logo em baixo, anichado em suave e exígua planura, o primeiro povoado, de pequenas casas térreas de xisto, altamente concentradas. Uma núria sob a protecção de um paredão descomunal. E, ao longo da chapada envolvente, o bordado caprichado dos jardins das primícias, de onde provinha o sustento básico das gentes dos Povorais, complementado com a proteína sobrante da pastorícia. Estado de autosubsistência quase genuíno. Isolamento quase total. No topo de uma fazenda avistámos, com grande alegria, um tanque de rega de terra batida. Junto dele tufos de dálias verticais, reflectindo-se, narcisisticamente, no espelho líquido - cristalino horizontal. Bebemos e refrescámos as focinheiras suadas. E dos tufos de rubras e frescas dálias, cortámos hastes e enfeitamos nossos peitos de belos ideais. Prontos para a nossa entrada triunfal nos Povorais.

Ernesto Ladeira

(continua)

do  jornal O Castanheirense

publicado por penedo às 13:03

link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

CAMINHADA - Penedos de Góis

18  de Outubro  (sábado)

CAMINHADA:

“Rota das Tradições do Xisto - Penedos de Góis - Serra da Lousã”

Percorrendo as Aldeias do Xisto da Serra da Lousã no concelho de Góis Aigra Nova, Aigra Velha, Comareira e Pena, com a companhia dos imponentes Penedos de Góis. O percurso passa por um conjunto de aldeias vivas do concelho de Góis onde os participantes podem desfrutar de características e tradições únicas do território do xisto: alambique, eira, forno e moinho comunitários, hortas e culturas serranas, visita à uma exploração de cabras, soutos, cozinhas e caniços tradicionais, gateiras, pocilga do porco, produtor artesanal de mel da Serra da Lousã. Momento único será a visita à aldeia de Aigra Velha que ainda dispõe de um sistema defensivo apenas visto nas aldeias e vilas medievais mais antigas do nosso país e a visita aos fósseis marinhos existentes no Penedo de Góis. Com alguma probabilidade será possível avistar uma rapina ou uma manada de veados neste percurso.

Tipo de percurso: Circular. Extensão: cerca de 12km. Duração: 5 a 6 horas. Declives: Moderados. Dificuldade: Média. Início e final de percurso: Aigra Nova. Ponto de encontro: na aldeia de Aigra Nova, na Loja do Xisto, pelas 9h30. Preço: 10€/pax - inclui guia, seguro
.www.transserrano.com

 

publicado por penedo às 11:51

link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.posts recentes

. 1.º Grande Prémio - Élit...

. Encontro dos Povos da Ser...

. RAMAL DA LOUSÃ

. Serviços Florestais

. Balanço da BTL

. Passeio aos Penedos

. 21 (domingo) CAMINHADA: “...

. AIGRA VELHA ....neve

. Neve na Serra da Lousã

. À Volta dos Penedos---Gói...

.links

.arquivos

. Outubro 2018

. Junho 2018

. Setembro 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Dezembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Junho 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

blogs SAPO