Terça-feira, 17 de Julho de 2012

Encontro dos Povos da Serra da Lousã (2012)

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Sexta-feira, 9 de Abril de 2010

Visitar Talasnal e.....

 

 

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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Passeio aos Penedos

 

 

 

 

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Domingo, 3 de Maio de 2009

trevim

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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Trevim. Instalações militares

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publicado por penedo às 15:39

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Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Viagem no concelho de Góis - 1

 

 
DIÁRIO DE VIAGEM DO JORNALISTA NUNO FERREIRA (EX-EXPRESSO, EX-PÚBLICO)
QUE EM FINAL DE FEVEREIRO DE 2008 INICIOU EM SAGRES A TRAVESSIA
A PÉ DE PORTUGAL.

CORTA FOGO EM DIRECÇÃO AO CONCELHO DE GÓIS

 

POVORAIS (GÓIS) VISTA DO CORTA FOGO



A CAMINHO DE POVORAIS



CAMINHO ENTRE TREVIM E POVORAIS



NO TOPO DA SERRA, DO LADO DO CONCELHO DE GÓIS



CASA DE POVORAIS (GÓIS)



"PENA? É POR ALI!" (EM POVORAIS, GÓIS)



POVORAIS (GÓIS)



PENA (GÓIS) VISTA DO CAMINHO DAS FRAGAS



PENA



PENA- AIGRA VELHA (GÓIS)




A CAMINHO DE AIGRA NOVA (GÓIS)



AIGRA NOVA LÁ EM BAIXO



COMAREIRA




FÁBRICA DE PAPEL ABANDONADA EM PONTE DO SÓTÃO (GÓIS)




PONTE DO SÓTÃO (GÓIS) VISTA DA ESTRADA PARA VILA NOVA DO CEIRA



VILA NOVA DO CEIRA, 16 DE OUTUBRO DE 2008



VILA NOVA DO CEIRA-GÓIS A 16 DE OUTUBRO DE 2008




NA SERRA DA LOUSÃ

O homem velho tinha um boné vermelho na cabeça. Cortava rente pinheirinhos inofensivos junto a uma Ford encarnada gasta e sumida, a parte traseira semeada de resina e pedaços desfeitos de toros de madeira. A placa de matrícula era daquelas antigas, de fundo preto e letras e números brancos. Avistei-o do corta-fogo, a uma distância suficiente para não que me avistasse a mim. Quando desci a serra, já a luz ía a meio, cortada em diagonal pelas copas dos pinheiros plantados em filas muito certas e correctas. Passara por uma placa onde lera “maternidade das árvores” e calculara que aquela fosse uma parcela semeada de filhotes, fruto do labor de quem ainda ama a montanha.
O homem velho já estacara e se plantara em frente à dianteira do camião, uma expressão de desconfiança e interrogação no rosto. Não sorriu mas também não foi deliberadamente hostil. “Você anda perdido?” Eu vira-me no topo da Serra da Lousã entre as antenas de comunicações e a pista vazia e solitária do Trevim por volta das quatro da tarde e aventurara-me a descer o corta-fogo que rasgava a encosta como um tobogan enlameado. “Daqui para baixo você não vai a lado nenhum, é só matagal, silvas e pedras”.

 

Eu queria alcançar as bandas de Góis. Partira de Castanheira de Pêra nessa manhã. Em Outubro, a piscina das Rocas, onde em Agosto milhares de pessoas brincam nas ondas artificiais, está posta em sossego. Não é mais uma piscina, é antes um lago parado e tranquilo, umas palmeiras azuis holywodianas a contradizer todo o restante cenário serrano. Abalei dali sem grande vontade de ficar. “Então, não se faz nada?”, perguntou um de dois varredores numa travessa.
O caminho em Outubro faz-se de folhas amareladas e avermelhadas das vinhas e forra-se das cascas espinhosas das castanhas. Cheira a mosto sempre que me aproximo de uma casa. De vez enquanto alguém assoma a uma janela ou cruza uma esquina. É quase meio dia quanto alcanço o Coentral, o último posto humano antes da liberdade suprema da serra.
Os homens, todos em idade de reforma, rodam os copos no café da aldeia, insultam-se alegremente- “ainda era gajo para te ir ao rabo”-e conversam sobre a castanha. “Eu vendo castanha”, diz um, o mais falador e o que entorna mais líquido pelas goelas. “ Vendo castanha. Não é essa merda que aparece lá na feira de Castanheira”. Um aldeão expectante solta umas fumaças junto à porta. Escuta a conversa e goza o sol primaveril de um Outono reluctante. Não chove, não faz frio, é a primavera na serra em Outubro. Um fio curto de água a lamber as rochas é tudo o que resta da cascata do Coentral. “A ribeira está quase seca”, lamenta uma mulher.
O outro a dar-lhe com a mesma lengalenga. “A minha castanha é castanha. E não a vendo a dois euros como alguns. Um euro e meio e há um aí que não leva nenhuma este ano”. Faz-se silêncio, um vazio calculado para que o outro homem possa perguntar “quem?”. “O António. Encomendou-me dez quilos ano passado e ainda cá faltam os 15 euros. Este ano vá pedir a outro”.
Dali para cima são mais uns cinco ou seis quilómetros até à Capela de Santo António da Neve e aos neveiros. Reza a História que terá sido o neveiro da casa real que a mandou construir no século XVIII, de seu nome Júlio Pereira de Castro, para que as pessoas que trabalhavam então nos neveiros pudessem assistir à missa. Ali não há ninguém, nada a não ser um silêncio perturbante. Calco pequenos troncos entre ervas macias e verdes, respiro o ar puro e absoluto da Lousã e espreito os neveiros vazios. São redondos, em pedra, grandes o suficiente para armazenar ali durante o inverno a neve que abastecia no Verão a corte e a “Casa das Neves”, o Café Martinho da Arcada, em Lisboa.
Um pouco mais acima fica a pista de aviação do Trevim. Alguém, amante da natureza, escreveu em defesa dos veados livres na pequena casa assombrada que dá assistência aos aviões na época dos fogos. Agora, pode-se pular, dançar, cantar, inalar com todo o tempo do mundo os ares que cruzam a fronteira invisível do concelho de Castanheira de Pêra e o de Góis.
O homem velho do boné vermelho vira-me a descer furiosamente o corta-fogo que rasga a encosta desde o cabeço e na aproximação ao camião, estacou. Sabia que dali o incauto caminhante não passava mais. “Para as bandas de Góis? Você vai ter que andar muito. Está a ver aquela aldeia ali do outro lado, chama-se Povorais. Siga por esse caminho aí à direita, sim, esse aí e vá sempre em frente mas vai ter que andar muito”.
Caminhei até me doerem as barrigas dos músculos das pernas. Um solitário alcoolizado dormitava junto a umas placas tortas a indicarem Povorais para um lado e Góis para o outro. “Bocê num sabe, bocê num sabe…Góis é loonge”. A boca parecia um saco de batatas. Segui o conselho do homem velho. Desisti da estrada de asfalto e segui de novo pela terra batida. Povorais é um pequeno amontoado de casas perdido no verde da encosta.
“Você agora vai sempre em frente até à Pena, sempre em frente”, gritou uma mulher. “Vai sempre em frente”. Cocei a cabeça à medida que o tapete verdejante se foi estreitando. A princípio, perdi-me junto a um galinheiro e umas hortas. Mais tarde, a trilha dividiu-se em três. Sempre em frente? Calculei a aldeia da Pena do lado direito. Dei por mim atolado num carreiro enlameado, entre fragas. Até que ela apareceu, a Pena, o casario muito lá em baixo numa correnteza encosta acima, os telhados muito vermelhos, vozes de crianças a ecoarem no vale.

 

Seriam umas sete da tarde quando cruzei a ribeira da Pena, os penedos já cobertos pela sombra. “Café? Só no Esporão, mas ande depressa, ainda vai ter que andar bem até ao Esporão”. Cheguei ao restaurante regional do Esporão a tempo de devorar um jantar de lombo e vinho e em conversa com um pedreiro de Arganil, atendido por uma moça de óculos graduados a sorrir muito por detrás do balcão. “Qualquer coisa é só pedir. Castanheira de Pêra a pé? Isso são muitos quilómetros.

 

 (continua)

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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

trevim

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trevim

 

Fotos de
miguel cazaux

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Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Neve na Serra da Lousã

O Penedo viu o maior nevão dos últimos 20 anos na Serra da Lousã 

o que atraiu centenas de pessoas ao Trevim e ao Santo António da Neve.

 

 

Veja o vídeo da notícia da SIC clicando: Aqui

 

 

 

 

publicado por penedo às 17:44

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NEVE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                    PODE  VER MAIS FOTOS

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      http://poboraes.hi5.com

 

 

publicado por penedo às 00:36

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Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

Trevim

                   

 

 

                                                            Trevim um vizinhos dos Penedos

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Terça-feira, 8 de Julho de 2008

OLHAR DISTANTE

publicado por penedo às 20:13

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Domingo, 1 de Junho de 2008

-Olhar a Poente-

 

O pico do Trevim

 

Na serra da Lousã, a 1200 metros de altitude e a menos de uma hora de Coimbra, em automóvel, existe um dos mais belos pontos de vista do país.

Na estrada da Lousã para a Castanheira, logo adiante da Catraia, numa altitude já superior a mil metros bifurca para a esquerda uma bem cuidada estrada de turismo, que a Sociedade de Melhoramentos Lousã-Castanheira acaba de concluir, dando acesso ao ponto mais elevado da Serra — o Pico do Trevim, ou melhor, o Altar do Trevim, como lhe chamam escritores de outros tempos e como ainda hoje lhe chama o povo.

A estrada, larga e bem lançada, depois de subir um pouco nos primeiros duzentos metros, segue quase sem patamar, junto à crista da Serra, oferecendo-nos para poente e norte os panoramas mais variados e deslumbrantes.

A fita branca dos areais da costa estende-se desde as alturas de S. Pedro de Muel até para cima de Aveiro, interrompida apenas pela serra da Boa Viagem, ao lado da Figueira; e, cingida a ela, a faixa verde do oceano a perder-se no horizonte.

Para norte, o Bussaco, o Caramulo e o Montemuro são o pano de fundo do amplo panorama onde alvejam dezenas de vilas e aldeias e Coimbra, a dois passos de nós, mesmo por detrás do Senhor da Serra de Semide, é a Princesa deste Centro de Portugal, cujo manto de níveas brancuras tem uma longa cauda de verde-esmeralda, que são os campos do Mondego, arrastando-se em curvas deleitosas até para baixo de Montemor.

Andados os primeiros dois quilómetros desta linda estrada de turismo, e depois de termos passado sobre o Candal, que, ao fundo de um arrepiante desfiladeiro, à esquerda, a mais de 400 metros a pique, com a sua escola nova, as suas casas pitorescas e o seus verdes milharais, é um dos mais enternecedores quadros de paisagem que nos olhos têm visto, atravessamos o Relveiro da Selada dos Poços, onde o pavimento da estrada é a própria erva virgem e macia, e começamos a subida do Trevim.

Coleamos pela esquerda o primeiro contraforte, numa curva larga e de fácil subida, como que feita para nos mostrar melhor os pendores da serrania sobre o Vale do Arouce, e chegamos à Fonte do Cavalete, cuja água fresquíssima e cristalina, é o mais delicioso refresco em dias de verão.

A fonte brota uns vinte metros abaixo da estrada, por entre fetos e relvados, onde nos dias de Santo António da Neve os romeiros improvisam, à passagem, bailes e merendas, porque o recanto, fresco e defendido dos ventos, convida a descansar, e o ar da serra, fino e excitante, faz vontade de comer e brincar…

Damos agora, pelo sul, uma volta apertada, em patamar, por entre rochedos ásperos, onde propositadamente se levou a estrada para conseguir um melhor miradouro sobre a linda povoação do Coentral e sobre toda a Ribeira de Pêra, matizada de povoações, e começa a subida final para o Altar do Trevim (agora é que nos parece um altar), a oito por cento, que não é rampa que os automóveis não trepem com facilidade.

A poente, uma curva que é um dos mais deslumbrantes pontos de vista de todo0 o trajecto, e logo rodeamos pelo nascente o cimo do monte, entrando já pelo lado do sul no planalto em que assenta o marco geodésico — o Castelo, como o povo o designa, com a sua ingénua tendência para colorir e romantizar as coisas.

Chegámos pois ao Trevim! São 1.204 metros de altitude!

E agora é em volta de nós metade de Portugal a desdobrar-se em maravilhas de toda a ordem. Por todos os lados o monte cai em declives rápidos, deixando-nos admirar, em baixo, perto da vertical, o campo da Lousã, a menos de 200 metros de altitude, o de Miranda, o vale do Ceira, Serpins, Ponte do Sotam, campos de Góis e da Ribeira de Pêra, etc., e pelas encostas, dependuradas na Serra, aldeias pitorescas: Silveira, Catarredor, Talasnal, a Aigra e os Pobrais.

Para sudoeste, a poucas centenas de metros, numa eminência de altitude aproximada a do Trevim, separada deste pelo rebaixo da "Selada de Pêra" o Santo António da Neve, capela de boa arquitectura em cuja frontaria se vê uma placa de mármore, tendo gravado o seguinte:

"Esta capela do gloriosos Santo António de Lisboa a mandou fazer Julio Pereira de Castro, reposteiro do N. R.º da Camara de Sua Magestade e neveiro da sua real casa, em terra sua no ano de 1786".

Segundo se conclui de um estudo de Matos Sequeira, publicado na Revista "Feira da Ladra" este fidalgo Júlio Pereira de Castro foi um dos últimos neveiros que arremataram perante a Câmara de Lisboa o exclusivo do fornecimento de neve para a capital, visto que era desconhecido o fabrico do gelo. A primeira destas arrematações teve lugar por ocasião da visita a Lisboa de Filipe I, que em Madrid esteva habituado a nevar as suas bebidas e comidas.

Ainda hoje se vêem no relvado que circunda a capela de Santo António vários poços de neve, três deles em regular estado de conservação e os outros em ruínas. São sólidas construções cilíndricas em pedra e cal de cobertura em abóbada, medindo 7 a 10 metros de diâmetro e uns 12 metros de altura interior, sendo metade dela abaixo do nível do solo.

Nas espessas paredes, de mais de metro, abre-se uma única porta, por onde se metia a neve apanhada sobre a relva, comprimindo-se e isolando-se do exterior com portas duplas e cortiça ou serradura.

Dali se transportava para Lisboa, em maiores ou menores quantidades conforme o tempo exigia, sendo consumida na corte a maior parte.

Ainda hoje vivem na Lousã pessoas que se empregaram nesse transporte, que o Sr. Eugénio Amaro, lavrador abastado, hoje residente em Semide, por mais de uma vez arrematou.

Mas deixemos estas velharias e vamos lá olhar ao longe a amplidão dos panoramas sem fim.

Primeiro, entre o norte e nascente, a majestade da Serra da Estrela dominando tudo. A ranhura do vale de Loriga, profunda, está na nossa frente, e um pouco à esquerda vê-se nitidamente. S. Romão, e mais à esquerda, e um pouco mais longe, na aresta em declive, a linda vila de Seia.

Para nascente, avoluma a Gardunha, prolongada para sudoeste na Serra do Muradal, já mais próxima de nós que veda à nossa vista, como um muro, a planície de Castelo Branco. Paralelamente, mais próxima ainda, a Serra de Alvelos (Oleiros e Sertã), e entre elas e o Trevim, o vale do Zêzere, aqui e além de gargantas alcantiladas como a do Cabril, a dois passos.

Vê-se até alvejar num cume, ao lado a capela da Senhora da Confiança, em Pedrogão Pequeno, na margem esquerda, e pouco mais abaixo, na direita, vislumbra-se ainda Pedrogão Grande — "terra de sombras e ares mui deigados e limpos", como já em meados do século XVI a classificava Miguel Leitão de Andrada na Miscelanea. Ao longe, para sul do Muradal, o Penedo Gordo, sobre as Portas do Rodão, e mais para a direita o cone truncado da Serra de Mação. Por entre esta e o Penedo Gordo, vê-se ainda ao longe a serra de S. Mamede, junto de Portalegre, que os romanos denominavam Herminius Minor.

Para sudoeste recorta-se bem definida a Serra de Aire, à direita da planície baixa do Entroncamento e Torres Novas, vendo-se na mesma direcção, mas num plano mais próximo, a Serra de Alvaiázere. Da Serra de Aire para o norte, alonga-se a serra de Minde, de menor altitude, por onde fica Fátima, e por detrás desta, alteia-se a dos Candeeiros. Mais próximas de nós as serras da Sicó e das Degracias, ao lado respectivamente de Pombal e Soure.

Toda a extensa faixa do areal da costa, desde as alturas da Marinha Grande até Aveiro, brilha ao sol, ladeada por duas faixas uma verde esmeralda, que é o mar, outra mais escura, que são os pinhais de Leiria, da Leirosa, de Quiaios, da Tocha e de Mira.

O Buçaco, a Gralheira, o Caramulo, o Montemuro, e a Lapa definem, pelo norte a linha do horizonte. Abrangido por ela, um sem número de vilas, aldeias, ermidas, que põem notas de brancura no verde dos pinhais e no cinzento das encostas: Montemor, Penela, Miranda, Lamas, Podentes, Semide, Cantanhede, Penacova, S. Pedro de Alva, S. Comba, Campo de Besteiros, Tondela, Nelas, Mangualde, Oliveira do Hospital, Lagares, Ervedal, Tábua, Mouronho, Barril, Lourosa, Galizes, Valezim, Monte Alto (Arganil), Bordeiro, Várzea de Gois, Serpins, Foz de Arouce, etc., etc.

E agora vamos a descer. Vai terminar o passeio. O sol da tarde faz realçar nos vales a beleza de certos contornos de linhas esculturais. Há sombras pelas encostas que são esboços a craion de atitudes apolíneas, de curvas doces, de formas feminis.

O mar faísca ao longe, fazendo lembrar bronze derretido, pronto a correr para os moldes de uma fundição de gigantes, e, junto de nós, rebanhos enormes vão seguindo já a caminho dos casais. O Santo António da Neve, envolvido pelo sol doce do entardecer, tem um certo ar de saudade que enternece...

Lá fica na sua solidão, guardado apenas pelo Marco do Trevim, vigilante, seco, aprumado — insensível às tempestades e vendavais, ao frio e à neve — sentinela firme, que faz lembrar aquele soldado de Pompeia cumprindo até ao fim o seu dever, morrendo afogado na lava ardente, de pé, no seu posto — porque ninguém rendeu.

"Alma Nova", Lousã, Ano 11, nº 321, 21 Outubro 1932

 

publicado por penedo às 19:46

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